País: Reino Unido
Gêneros: Post-Punk, Rock, Alternative Rock
Álbum: Under a Blood Red Sky
Ano: 1983
Lançamento: novembro
Gravadora: Island Records
Duração: 35:00
Músicos:
● Bono: vocais
● The Edge: guitarras, teclados e vocais de apoio
● Adam Clayton: baixo
● Larry Mullen Jr.: bateria
Lançado em novembro de 1983, "Under a Blood Red Sky" é um mini-álbum ao vivo (na prática, um EP mais longo) que captura o U2 ainda jovem, faminto e explosivo no palco. É um registro e um documento crucial da transição da banda de um fenômeno Pós-Punk para o estrelato mundial.
Gravado em três locais distintos durante a turnê do álbum "War" — em Red Rocks (Colorado), Boston e Alemanha Ocidental —, o álbum capturou a intensidade das performances que definiram a reputação do grupo nos anos 80. O lançamento coincidiu com a exibição do filme concerto "Live at Red Rocks", consolidando a imagem visual de Bono com bandeiras brancas em meio à neblina, transformando o registro em um marco da era da MTV e da expansão do Rock de Arena. Aliás, o vídeo do show, "Live at Red Rocks: Under a Blood Red Sky", foi tão importante quanto o disco, e ajudou a popularizar o U2 fora da Europa.
A primeira faixa do álbum é "Gloria", gravada no Red Rocks, que começa em clima de celebração quase religiosa. A guitarra de The Edge é hipnótica, repetitiva, e Bono canta como se estivesse conduzindo um ritual. O famoso refrão em latim ("Gloria, in te Domine") soa ainda mais poderoso ao vivo. Dá o tom do álbum: menos técnica, mais fé e intensidade. Em seguida, "11 O'Clock Tick Tock", registrada em Boston, resgata um dos primeiros singles do grupo, apresentando as texturas de guitarra características de The Edge com uso proeminente de eco. Aqui aparece o U2 mais Punk e nervoso, ainda muito próximo das raízes do fim dos anos 70. A banda toca rápido, quase agressiva. Bono provoca o público, a bateria é seca, e a música parece sempre à beira de sair do controle — o que é exatamente o charme dessa versão. "I Will Follow", extraída da apresentação na Alemanha, mantém o ritmo acelerado do álbum de estreia, talvez seja a música mais "direta" do U2 nesse período. Ao vivo, ela ganha urgência: é curta, energética e funciona como combustível puro. Bono canta com raiva e devoção ao mesmo tempo, e o público responde na mesma intensidade. "Party Girl" oferece um momento mais descontraído e acústico, evidenciando a habilidade da banda em lidar com dinâmicas de palco menos densas e maior interação com o público.
A segunda metade do disco foca em temas políticos e hinos de grande alcance. "Sunday Bloody Sunday" — o coração do álbum — e uma das performances mais importantes da carreira do U2. A batida militar do Larry abre caminho para uma interpretação crua e urgente, sem efeitos ou grandiosidade artificial. O discurso do Bono deixa claro que não é uma canção pró-violência, mas um grito contra ela. Ao vivo, a música vira manifesto. "The Cry / Electric Co." é caótica, barulhenta, quase anárquica. Aqui o U2 solta tudo: feedbacks, distorções, improvisos. Bono se joga vocalmente, e a banda parece testar os limites do palco. É um ótimo exemplo de como eles usavam o show como espaço de risco, não de reprodução certinha do estúdio. "New Year's Day" destaca o uso de piano e uma base melódica firme, funcionando como o ápice comercial do registro. O baixo icônico do Adam Clayton conduz a música, enquanto Bono canta com um misto de esperança e desespero. Ao vivo, a canção perde um pouco da frieza do estúdio e ganha humanidade, soando quase como um pedido coletivo por mudança. "40", baseada em textos bíblicos encerra o disco e tradicionalmente encerrava os shows, marcada pela troca de instrumentos entre The Edge e Clayton e pelo coro da plateia.
A produção de Jimmy Iovine conferiu a "Under a Blood Red Sky", uma clareza técnica que equilibrou a crueza do som de palco com a fidelidade necessária para a execução em rádio. O álbum alcançou o topo das paradas no Reino Unido e permaneceu na Billboard 200 por quase duzentas semanas, ajudando o U2 a estabelecer uma base de fãs sólida nos Estados Unidos antes do próximo passo em estúdio.
Historicamente, "Under a Blood Red Sky" é reconhecido como um dos álbuns ao vivo mais influentes do gênero, capturando o momento exato em que o quarteto irlandês refinou sua sonoridade expansiva e se preparou para o domínio comercial global.
Fontes pesquisadas:
- wikipedia.org
- rateyourmusic.com
- u2.com
Faixas:
| Nº | Título | Duração |
|---|---|---|
| 01 | Gloria | 04:45 |
| 02 | 11 O'Clock Tick Tock | 04:43 |
| 03 | I Will Follow | 03:47 |
| 04 | Party Girl | 03:08 |
| 05 | Sunday Bloody Sunday | 05:17 |
| 06 | The Cry / Electric Co. | 05:23 |
| 07 | New Year's Day | 04:36 |
| 08 | 40 | 03:43 |

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