PROG SELECTION

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Pérolas da Música Progressiva de todas as eras.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

SYMPHONIC PROG

SYMPHONIC PROG





DEFINIÇÃO:
É o termo aplicado às bandas que incorporam elementos clássicos, principalmente orquestrais em suas composições. Os elementos que são usados geralmente em sua maioria, são manifestados através de longas trilhas "complexas" que se desviam das tradicionais estruturas de canções populares e/ou acessíveis. Essas composições geralmente incluem "texturas" de teclados "exuberantes" usados para "imitar" as sonoridades orquestrais. Adições psicodélicas e experimentais também são usadas por muitos artistas que seguem essa "linha".

ORIGEM:
Esse estilo teve seu "berço" no Reino Unido em finais dos anos 60, quando algumas bandas que trilhavam o Rock sessentista tradicional incorporaram em suas composições orquestras e elementos clássicos. Muitos estudiosos consideram o álbum: "Days of Future Passed" da banda inglesa MOODY BLUES como o precursor do estilo devido à participação da London Festival Orchestra em todas as faixas do disco lançado em 10 de novembro de 1967. Outra característica deste disco é ser o primeiro "álbum conceitual" no universo do Rock. A banda soube fundir a Música Clássica com o Rock'n'Roll, tecendo um painel vivo e dinâmico. Em 1969 os ingleses do DEEP PURPLE que até então seguiam um estilo próximo aos trabalhos do CREAM de Eric Clapton e também de Jimi Hendrix tendo ênfase na guitarra de Ritchie Blackmore, começa a dar mais espaço a trabalhos que seguiam a linha orquestral onde sobressaía o órgão de Jon Lord se mostrando mais destacado. Essa vertente PROG da banda foi abordada no disco "Concert for Group and Orchestra" onde o Rock "pesado" do PURPLE se funde à Musica Clássica e abraça a Música Prog que começava a despontar pela Europa. Em pouco tempo algumas bandas que já tinham gravado discos seguindo essa linha como: THE NICE, PROCOL HARUM e VAN DER GRAAF GENERATOR "disputariam" terreno com o surgimento de bandas seminais para o estilo: GENESIS, YES, RENAISSANCE e EMERSON, LAKE AND PALMER.

ARTISTAS:
Especialmente no fim dos anos 1960 e durante a década de 1970, quando o gênero teve seu ápice criativo, surgiram uma infinidade de bandas tendo foco principal na Inglaterra, mas com repercussões no mundo inteiro, especialmente na Itália, França, Holanda e Estados Unidos. Discos antológicos foram gravados se tornando verdadeiras fontes inspiradoras para as bandas surgidas nos finais dos anos 70 até os dias de hoje. A banda inglesa YES lançou seu primeiro disco com características sinfônicas em novembro de 1971. "Fragile" recebia como novo membro o tecladista clássico Rick Wakeman que trazia para a banda todo o seu conhecimento erudito, como pode ser notado na composição "Cans and Brahms" totalmente instrumental e em "The South Side of the Sky" delineando a linha seguida nos próximos anos. "Close To Edge" de 1972, "Tales From Topographic Oceans de 1973, trazia faixas que tomavam todo o lado do disco, as denominadas suítes, exemplo que seria seguido por inúmeras bandas ao longo dos anos 70. O trio EMERSON, LAKE AND PALMER, largou na frente em março de 1971, lançando "Pictures At An Exibition" baseado na obra do compositor russo clássico MUSSORGSKY. O disco recria na linguagem Prog/Rock uma obra erudita de 1874, algo inédito até então. Keith Emerson, que também "bebia" na fonte do Jazz mostra toda o seu conhecimento musical e através de uma performance "explosiva" criaria uma legião de seguidores tanto músicos como ouvintes que difundiriam o PROG CLÀSSICO como sinônimo para o gênero Rock Progressivo. A banda RENAISSANCE fundiu o Folk muito presente na cultura Hippie com o Rock Clássico em em 1972 com seu disco "Prologue" e a recém adição da cantora Annie Haslam que seguia uma linha líricam criaria um estilo de PROG SINFÔNICO muito peculiar sem uso de guitarras e com o piano preponderante de John Tout. Os discos "Ashes Are Burning" de 1973, "Turn of The Cards" de 1974, e "Scheherazade and the other Stories" de 1975 são obras magníficas incorporando orquestras sinfônicas em suas gravações o que resultou em um dos discos ao vivo mais caracterísiticos do estilo sinfônico, "Live at Carnegie Hall" de 1976 gravado nos Estados Unidos levando ao palco a New York Philharmonic Orchestra, consequentemente com casa lotada demonstrando o ápice da banda. O GENESIS teria nas composições de Tony Banks todos os elementos clássicos que compunham o Symphonic Prog, e apesar de não colocar em suas gravações nenhuma orquestra conseguiu manter o clima sinfônico em 90% dos seus discos mais famosos e antológicos: "Foxtrot" de 1972, "Selling England by the Pound" de 1973 e "The Lamb Lies Down on Broadway" de 1974. O uso recorrente do mellotron trazia um clima lúdico para as composições algo que ficaria marcado no coração dos fâs da banda e desse estilo. Os elementos acústicos clássicos também podem ser notados através das composições do guitarrista Steve Hackett como na trilha "Horizons" presente no disco "Foxtrot", uma peça digina de qualquer compositor romântico do século 19. A banda CAMEL surgiria após todo esse "boom" sinfônico e mesmo assim iria se incorporar a esses grandes nomes do Symphonic Prog lançando discos amados pelos fâs da guitarra "chorosa" de Andy Latimer. Discos como "Snowgoose" de 1975 e "Moonmadness" de 1976 disputam até hoje a posição de melhor disco da banda apesar de estilos diferentes. "Snowgoose" é um disco clássico por incluir uma orquestra sinfônica e ser totalmente instrumental, enquanto Moonmadness já traça uma linha mais jazzística e que a banda seguiria futuramente, porém sem perder as características de Prog Sinfônico. Esse é o maior e mais conhecido subgênero do Rock Progressivo Clássico, por incluir a maior parte de artistas do gênero Prog Rock. As bandas que seguiram o caminho do Progressivo Sinfônico teria muitos seguidores na Itália e é conhecida por ser especializada neste estilo (tendo como exemplo, PREMIATA FORNERIA MARCONI, com os discos: "Storia di Un Minuto" e "Per un Amico", ambos de 1972 e "L'isola de Niente" de 1974, BANCO DEL MUTUO SOCCORSO, com os discos: "Banco Del Mutuo Soccorso" e "Darwin" de 1972 e "Io Sono Nato Libero" de 1973. e LE ORME (muitas vezes considerados como clones italianos do EMERSON, LAKE AND PALMER), com seus discos "L'uomo di Pezza" de 1972, "Felona e Sorona" de 1973 e "Contrapuntti". No Brasil algumas poucas bandas trilharam um caminho puramente sinfônico na década de 70, mas muitas delas criaram peças musicais que se tornariam clássicos para o gênero, como por exemplo O TERÇO em 1974 com seu disco "Criaturas da Noite". Já a banda QUATERNA RÉQUIEM trilha o estilo sinfônico/clássico com maestria e através de Elisa Wiermann, tecladista e pianista clássica cria composições que poderiam até mesmo se incorporar a um recital clássico. o SAGRADO CORAÇÃO DA TERRA, através do violino de Marcus Vianna criou um estilo sinfônico muito peculiar e futurista além de incorporar em sua sonoridade elementos tipicamente brasileiros como música indígena. A banda TEMPUS FUGIT através do seu tecladista André Mello traz elementos sinfônicos "recheados" de texturas viajantes e emotivas.

O LEGADO:
Várias bandas despontariam no mundo inteiro seguindo o estilo sinfônico, muitas delas surgidas no leste da Europa e Escandinávia, inclusive o movimento escandinavo é considerado como renascimento para o Prog Sinfônico nos anos 90. Bandas como ANGLAGARD, ANEKDOTEN, PAR LINDH PROJECT e AGUSA são referências para esse renascimento. Os também suecos do FLOWER KINGS incorporam uma "pegada" mais pesada nas composições sem abandonar a "veia" sinfônica e através do seu guitarrista Roine Stolt, ex-KAIPA, outra referência em Prog Sinfônico na Suécia dinamiza o Prog na atualidade. Nos Estados Unidos. TRANSATLANTIC, SPOCK'S BEARD e GLASS HAMMER são grandes nomes do PROG SINFÔNICO e seguem os passos do YES trazemdo composiçõs dinâmicas e grandiosas que sempre estiveram presentes no estilo. O húngaro SOLARIS gravou um disco "mágico" em 1984 que incorpora elementos clássicos e eletrônicos/futuristas. É um disco totalmente instrumental e viajante onde se percebe que o Prog Sunfônico não possui fronteiras.

O subgênero Neo-Prog está intimamente relacionado ao Symphonic Prog, mas tende a menor complexidade e ao uso de estruturas musicais mais populares e acessíveis. Muitas bandas se inspiraram principalmente nas texturas sinfônicas e vocais de Peter Gabriel e GENESIS criando discos familiares ao estilo SINFÔNICO como os ingleses do IQ, MARILLION e ABEL GANZ e COLLAGE polonês.

Algumas bandas da atualidade recuperaram as características mais fortes da música clássica para juntarem ao Rock e literalmente usar sinfonias na composição, como TRANS-SIBERIAN ORCHESTRA, RHAPSODY OF FIRE, SYMPHONY X, e NIGHTWISH. Nessas bandas é comum notar um estilo mais pesado de Rock, formando os gênero Symphonic Metal e Prog Metal.

Texto por
Fabio Costa

Fontes:
Wikipedia
Progarchives
Enciclopédia do Rock de Leonardo Nahoum
Rateyourmusic.com
Allmusic.com

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