País: México
Gênero: Symphonic Prog
Álbum: Circe
Ano: 2005
Lançamento: fevereiro
Gravadora: Musea / Mylodon Records
Duração: 69:24
Músicos:
● Víctor García / bateria
● Andrea Medina / vocais
● Alonso G. Romero / guitarra
● Zain Hernández / teclados
● Víctor Miranda / baixo
A banda é originária de Leon, Guanajuato, e foi formada em 1996. No decorrer dos anos a troca de membros foi trazendo uma maior diversidade a seu som. Seu único disco foi lançado pela gravadora francesa Musea, e pela chilena Mylodon Records. A duração das faixas varia de 5min e pouco a 12min.
A primeira música apresenta uma entrada que remete ao psicodelismo de PINK FLOYD. Seguida de um solo de guitarra. As harmonias logo se tornam mais elaboradas, e logo adotam tamBém mudanças constantes de cadência. Cantada em espanhol, aliás a única língua adotada aqui. A partir do 4o minuto passam para uma pegada mais pesada, com timbres graves e um pouco mais acelerados nos sintetizadores, que lembram um pouco do primeiro disco do SOLARIS. Isso não dura muito, e passam a executar algo mais melódico, com um baixo levemente funk-rock. Mais pro final entram uns fraseados bacanas no piano, e bem no término voltam a entregar aqueles motivos um pouco mais heavy. É uma boa composição, que poderia ter sido um pouco mais bem explorada.
O fraseado no sintetizador que abre a próxima faixa é fantástico. Os vocais estão mais fluidos, dinâmicos, e se valem tanto de notas curtas quanto de umas um pouco mais longas. Trabalharam direitinho os arranjos para que os instrumentos e cantores tenham caminho livre para suas performances. O guitarrista demonstra magnífico domínio de diferentes efeitos, passando pelo psicodélico, pelo hard e pelo toada rítmica. O desenvolvimento é robusto e muito propositivo. O baterista também se soltou mais, fazendo umas viradas muito precisas. Com 3min e meio tem um trecho mais viajante, e o guitarrista faz algo que me soa como uma mistura de Andy Latimer (em trabalhos mais recentes) e Jan Akkerman (nos primeiros discos do FOCUS). Com 7min acalmam um pouco, e os vocais estão mais passionais. O encerramento é arrebatador! Um dos destaques desse disco.
A 3a música começa um tiquinho brincalhona, parecendo que pode vir a se valer de algum trabalho meio canterburiano e também sinfônico. Contudo, mudam logo para algo mais pesado. Os vocais estão um pouco mais agudos, ganhando portanto em intensidade. Ali pelo meio da composição fazem umas combinações interessantes dos temas já apresentados no início da música. Chegando mais próximo do fim, fazem umas mudanças de arranjos, para diversificar a composição.
Bela entrada no piano, com efeitos meio prog eletrônicos nos sintetizadores, para a 4a faixa. Os vocais estão quase elegantes, destilando marcantes notas longas. E ao mesmo tempo mantendo a suavidade, que é floreada por uns bons dedilhados no violão. A guitarra entra, com boas contribuições, mas um pouco fora de contexto, pois aquelas idéias mais suaves estavam indo muito bem. No meio da música voltam o violão, os pratos criam um clima etéreo, enquanto os vocais estão meio falados, meio cantados. Um trecho interessante. E foi nesse momento que me dei conta do modo como a vocalista anteriormente estava cantando quase sempre alto; pois aqui é onde ela menos faz isso. Achei que essa menor intensidade deixou mais claro o quanto ela canta bem. Boa música.
Na música seguinte, tem uma harmonia robusta que vai direto ao ponto. Aqui o rock domina! Com firmeza no play do tecladista, guitarrista e baterista. Me lembra um pouco do DEEP PURPLE. Só que com mais variedade. Quando a música está quase chegando no meio, a guitarra tira parte do peso, e fica mais acelerada, tornando-se quase fusion. Isso segue por um intervalo curto, quando voltam para a proposta heavy-prog. Boa composição, com muitos fraseados marcantes da guitarra. Embora aos 6min e meio façam umas viradas meio confusas e sem propósito. De qualquer modo, logo se reencontram.
A 6a faixa começa meio PINK FLOYD. Notas longas, sintetizador viajante. Sobrevém um fraseado dark no teclado, numa seção rítmica muito bem arranjada e produzida, e cujo compasso é bem escolhido. São feitos uns interlúdios com xilofone (acho que é emulado, pois esse instrumento não consta nas pesquisas que fiz a respeito da instrumentação desse lançamento), o que não é a melhor das escolhas, pois poderiam ter explorado mais nuances do ótimo fraseado que criaram; felizmente, um pouco depois fazem isso. Há também umas breves melodias, sobretudo quando a vocalista participa; e ainda contam com bom apoio do baixista. Na metade há um arranjo com sabor medieval, e um pouco depois umas harmonias poli-vocais psicodélicas, com sussurros e loopings da guitarra - dessa vez a variação foi mais criativa. Finalizam a música com fenomenal destreza e coerência.
A penúltima faixa inicia bem sinfônica, no sintetizador. Entra a guitarra com notas longas, inspiradas, como um preâmbulo para a seção seguinte, meio heavy-prog, lembrando um pouco o RUSH. Daí passam a vibrar mais numa onda meio DEEP PURPLE, e a vocalista encontra (mais uma vez) a altura e o timing perfeitos, sem exageros, mas com personalidade. Dessa vez, estão fluindo tal qual um rio caudaloso. Fantástico!
A faixa de encerramento começa pesada. Tanto o compasso quanto as harmonias não são muito complexas, e dessa vez não fazem tantas mudanças e interlúdios. Apenas quando chega na metade, que aí fazem uma marcha para marcar a transição para a segunda metade da composição.
Em suma: bom trabalho dessa banda. Lhes falta mais maturidade e preparo ao compor, pois falta uma certa coesão nas faixas. Isso é parcialmente compensado por bons fraseados feitos pro todos os músicos (com a ressalva de que o baixista fica quase sempre em segundo plano).
Faixas:
01. Consecuencias (8:51)
02. La carrera de las vacas flacas (9:55)
03. Perdido (5:18)
04. Puedo decir (6:26)
05. Anonima existencia (9:26)
06. Futuro amanecer (11:58)
07. Soy (11:03)
08. Danza cosmica (6:42)
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