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domingo, fevereiro 1

FREEWAY JAM ● Pensieri Imperfetti ● 2002

Artista: FREEWAY JAM
País: Itália
Gênero: Jazz-Rock Fusion
Álbum: Pensieri Imperfetti
Ano: 2002
Duração: 73:29

Músicos:
● Danilo Somenzi / baixo e vocais
● Davide Pavesi / teclados
● Luca Gramignoli / guitarra
● Renzo Marchelli / bateria

Com:
● Silvia Dalla Noce / vocais
● Adolfo Lombardi / flauta e saxofone

A banda foi formada em 2000, pelo baterista auto-didata Renzo, o baixista e vocalista Danilo, e o guitarrista, também auto-didata, Davide. Lançaram essa estréia por conta própria. Estiveram ativos até pelo menos 2025, sempre com a mesma formação (de um disco para o outro ocorreu apenas uma pequena mudança no curto rol de convidados); não tenho informações se esse ano ainda estão juntos. Em todos esses anos, fizeram vários shows, embora tenham lançado somente dois discos. Um desses shows foi abrindo para o DELIRIUM.
O começo é bem dinâmico, no estilo MAHAVISHNU ORCHESTRA, mas com predominância dos sintetizadores, ao invés da guitarra. Entretanto, logo o grupo vai alternando harmonias e arranjos. Estão na 4a marcha, às vezes passando uma 5a. Pouco antes dos 2min param tudo para dar vez a um piano, que parece fazer uma conversada bem blues e sussurrada com a guitarra e o baixo. Lindo. Os pratos gentilmente acompanham. A música vai crescendo em volume e aumentando o ritmo do passo, deixando guitarra em primeiro plano, seguido de perto pela bateria. Uma característica importante desse trabalho é que ele dá tanto espaço aos sintetizadores quanto cede ao piano, que hora ocupa o primeiro plano, quando está executado, hora o segundo plano. Tal proposta com esse instrumento, e as maneiras que ele é usado, ajudam muito para que o som se aproxime bastante do jazz clássico. Essa faixa é uma das que mais usa sintetizadores, pois esses voltam aos 6min e meio. E fazendo um ótimo dueto com uma guitarra rítmica no final. É também quando o baixista fica mais inspirado.
Uma guitarra funkeada, com um sintetizador be fluido, às vezes até um pouco bebop, dá o tom da segunda faixa. A guitarra faz uns solos também, ocupa alguns espaços como acompanhamento... trabalho muito rico que esse instrumento faz nessa faixa. Com 2min diminuem o volume: o tema principal vai sendo desenvolvido em looping pela bateria e baixo, enquanto a guitarra vai expandindo os horizontes. A massa sonora cresce um pouco, mas volta ao low-profile do tema central. É aos 3min que gradativamente crescem, voltando a ficar meio MAHAVISHNU ORCHESTRA. O baixo ganha consistência, e vão assim num passo levemente frenético até encerrar essa composição.
O piano está bem envolvente na próxima música. Bem blues. Muito uso dos pratos. A cantora, com um inglês levemente anasalado, porém com um inglês americano perfeito, e com um domínio esplêndido ao mudar entre as diferentes cadências. É uma das poucas músicas com vocais. Com 3min o piano faz uns fraseados incríveis, e a coisa toda começa a ganhar mais dinamismo. A guitarra entra, a bateria faz viradas mais amplas. Até chegar, pouco antes dos 6min, a novas propostas. Com 6min cravado, a música silencia, e começa uma parada totalmente diferente. A toada agora é mais rítmica, o baixo aumenta o volume, abrem-se os trabalhos no sintetizador, mas com timbres próximos aos do piano. Agora estamos no mundo do funk-rock. Pouco depois dos 8min, assumem um lance mais tranquilo, com o baixo solando gostoso. Vai tudo ficando cada vez mais minimalista; nesse ponto eles se perdem um pouco, pois se extenderam demais na economia de notas. Com 10min e meio a rapaziada vai crescendo (nas execuções, né, parceiro(a)?), os timbres ficam um pouco mais agudos e altos. Então, parece que estão se reencontrando; e de fato, a partir dos 12min e meio voltam a ficar fantásticos. E, genialmente, encerram com um piano encantador.
Uma flauta doce e suave abre a 4a faixa. Ela não apresenta nenhuma melodia clara, mas é interessante como proposta livre para algo um pouco mais erudito. Dura pouco mais de 2min. Quando entra um sintetizador, com um fraseado bem interessante, em ótima combinação com o baixo. E aí entram os outros instrumentos, explorando essencialmente aquele fraseado do sintetizador. A cadência apresentada pela bateria é espetacular. Com 3min e meio vão, em alguns passos, mudando para um lance mais livre, com guitarra e piano dedilhados quase aleatoriamente. Muito bem feito, mostrando principalmente dessa vez imensa sensibilidade para improviso. Na metade da música entra um fraseado muito fabuloso no piano, parecido com aquele adotado antes pelo sintetizador, mas ainda melhor. Mesmo sendo um fraseado incrível, com 6min mudam para outro, que consegue ser tão bom quanto! E a coisa fica ainda melhor, pois alternam esse fraseado (sendo explorado por alguns instrumentos, sobretudo piano e bateria) com trechos mais livres, meio free-jazz-rock. Ao mesmo tempo aumentando de intensidade. Essa faixa ganhou super merecidamente o posto de ser a que conferiu título ao álbum. E ainda encerram a composição de forma original, bem livre, e bem diferente do encerramento das outras músicas.
A faixa seguinte também começa no piano. O cara faz um andante com a mão esquerda, e uns floreios com a mão direita. Em alguns momentos a mão direita também participa do ritmo, mas quase sempre combinado com a outra. Lindo. Aliás, é esse instrumentista que apresenta o eixo da segunda parte da composição, a partir dos 2min e meio. Primeiramente, é no piano que se conduz o interlúdio, para a parte posterior que é bem blues-jazz. Há a colaboração de um saxofone. Notas longas, melancólicas, que serão por sua vez, mais tarde, usadas pela vocalista. Pois bem: eles vão assim, sem pressa, e se permitindo fazer uns solos de guitarra no caminho. Essa é uma das desvantagens desse trabalho, muitos solos; quando esses solos são fenomenais, não me importo que tenham 5, 7 ou mais minutos. Os solos nessa música não estão tão inspirados quanto em outros momentos da obra. De qualquer modo, os caras têm fluidez, isso não lhes pode ser negado. E um pouquinho antes de 7min e meio apertam o passo, trazendo um pouco mais de dinamismo à composição. Acham um ótimo fraseado na guitarra, e desenvolvem uma robusta harmonia em cima dela. Entretanto, permanecem pouco tempo nesse tema, passando para um tema quase minimalista no sintetizador, meio fraco. Parece um interlúdio para a próxima parte, que conta com vocais masculinos e femininos. Para mim, esse interlúdio poderia ser bem mais curto. A parte com vocais tem um introdutório econômico no instrumental, sem ser compensado por harmonias e arranjos vocais elaborados. São bons, mas carecem de mais complexidade e camadas. Então, a seção rítmica vai ganhando mais punch e solidez, melhorando a música. E felizmente deixam o canto mais a cargo da moça, que aliás nesse final faz também umas boas vocalizações e interpretações. Resumindo essa faixa, ela tem bons momentos, mas ficou muito longa, e um pouco confusa em alguns momentos.
'Il Brazo del Gitano' (no google tradutor saiu 'O Braço Cigano') começa bem humorado. Um swing gostoso no sintetizador e guitarra, com pratos bem cool-jazz. Tudo é muito bem arranjado, as cadências são inspiradas e inventivas. Vão fazendo pequenas mudanças, chegando a um terreno mais roqueiro, mas sem perder de vista o swing. O baixista está mais solto. Vai seguindo assim. Pouco depois da metade, deixam o swing quase totalmente de lado, e fazem uma puxada mais roqueira, com um pé também no jazz-rock. Dessa vez, há uma particularidade que até agora não havia aparecido no disco: uns efeitos meio space-rock, deduzo que realizados no sintetizador. No final voltam para o ritmo swingado. E terminam bem essa empreitada mais descontraída.
A próxima faixa é curtinha, e tem ao final, entre parênteses, escrito 'reprise'. Bem jazz clássico, com pitadas de blues. Até que é gostoso, mas definitivamente começa e termina de forma estranha.
'What am I doing here?' é um jazz-rock saboroso, com muito molejo sobretudo do baterista. O guitarrista vai ocupando os espaços muito bem. Cara, mais tarde o baterista faz umas mudanças inesperadas tanto de cadência, quanto de aplicação das notas. Fantástico. O restante da galera só vai acompanhando, e o fazem bem, pois todos entram muito bem no clima. Aos 3min dão uma paradinha, só para pegar um pouco de fôlego, e voltar aos trabalhos, na mesma vibe. Fazem algo inteligente, dando dessa vez mais proeminência para a guitarra e sintetizador. Eles não conseguem ter o mesmo balanço do baterista, mas ao "passarem o bastão assim", contribuem para a composição não ficar repetitiva. Mais uma ótima música.
A última música começa exatamente igual a antepenúltima, e assim segue numa toada que mistura swing e punch. Não entendo muito de música, mas pelo menos para mim esse lance poderia fazer parte de outra música. Até porque a música não tem início nem fim, ela se desenvolve do mesmo jeito o tempo todo. Ou seja: como faixa, é dispensável.
Encerro por aqui a análise de todas as faixas. E agora, fornecendo uma opinião mais geral, escrevo que é uma obra bem feita, com muita sintonia entre os membros. Com a particularidade de oferecer momentos que remetem um pouco ao jazz clássico, algo incomum no cenário progressivo, me arrisco a dizer que esse item é uma boa aquisição para muita coleção. Tem, sim, momentos medianos, mas são poucos; e me arrisco a dizer que se tivessem escolhido outra sequência para as faixas, isso ajudaria a obra a melhorar um pouco mais. Em suma: não é fortemente recomendado, mas é seguramente recomendado.

Faixas:
01. Space Time Division (9:07)
02. Marilyn La Selvaggia (6:23)
03. Man Or Child (13:57)
04. Pensieri Imperfetti (10:40)
05. She's A Woman (14:48)
06. Il Brazo Del Gitano (6:00)
07. Le P'tit Jeu De Jean Petard (Reprise) (1:55)
08. What Am I Doing Here? (5:14)
09. Le P'tit Jeu De Jean Petard (5:18)


Discografia:
2002 ● Pensieri Imperfetti 
2014 ● Piccoli Mondi

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