País: Brasil
Gênero: Alternative Rock
Álbum: Pedras e Sonhos
Ano: 2012
Lançamento: setembro
Gravadora: lançado pela própria banda
Duração: 50:07
Músicos:
● Tomás Rosati / voz, clarinete, percussão, escaleta (faixa 2), percussão (2), pandeirola (3)
● Bruno Danton / voz, guitarra, cavaquinho, trompete
● Eduardo Baker / baixo
● Pablo Barroso / voz, guitarra
● Gustavo Loureiro / bateria
Com:
● Carolina Thibau (faixas 1, 2 e 9), Conrado Kempers (1, 2 e 9), Dandara Catete (1, 2 e 9), Iuri Gouvêa (1, 2 e 9), Karina Neves (1), Letícia Catete (1, 2 e 9), Pollyana Vieira (1, 2 e 9), Uirá Bueno (1, 2 e 9) / coro
● Karina Neves / flautas (1 e 9) e pífano (1)
● Alexandre Guerra / baixo fretless (1)
● Bernardo Aguiar / percussão (1, 2 e 6)
● Donato / violão (1, 3), teclados (3, 4 e 7)
● Diogo Furieri / voz de Eike Batista (1)
● Deyvisson Vasconcelos / clarinete (2, 4, 8 e 9), fagote (8 e 9)
● Jonas Correa / trombone (2, 3, 8 e 9)
● Matheus Corrêa / trompete (2, 3 e 9), flugelhorn (3 e 8)
● Conrado Kempers / violino (3, 8 e 9)
● Vokin Loksar / violoncelo (3), contrabaixo (8)
● Tomás Alem / didjeridou (5)
● Mari Ghella / percussão sinfônica (8)
Formada em 2002, na cidade do Rio de Janeiro, a partir do desejo de conjugar instigação estética e inquietação política, a banda busca se inserir no movimento que entende a arte como trincheira, como espaço de reverberação e organização das ideias comprometidas com a luta por justiça social.
Arte como tarefa, pensada não como escape para as frustrações de uma vida resignada, mas sim como um estímulo, um ponto de partida para questionamentos e, porque não, transformações concretas.
El Efecto tem o ecletismo como marca do seu som. As composições são mergulhos nas mais distintas tradições e gêneros musicais, revisitados a partir de uma perspectiva contemporânea. A sonoridade do grupo expande a formação clássica do rock ao incorporar elementos como clarinete, trompete, pífano, percussão, escaleta e pandeirola, resultando em uma variedade de climas com forte presença da música brasileira e latinoamericana.
Um dos principais nomes da cena independente carioca, o grupo segue sempre ativo, expandindo seu público e espalhando suas ideias. Nestes 20 anos de estrada, El Efecto já passou por diversos estados brasileiros e também realizou incursões internacionais em Portugal, Espanha, Argentina e Equador.
Dentre as apresentações recentes, destacam-se os shows realizados no Circo Voador (RJ), Quintas no BNDES (RJ), SESC Pompeia (SP), Festival Bananada (GO), Festival Saravá (SC), Festival Transborda (MG), Bar Opinião (RS), Festival Morrodália (RS), Festival Bradamundo (SC), Imperator (RJ) e diversos SESCs dos estados do RJ e SP.
O começo da 1a faixa parece seguir uma trilha romântica, mas logo vai para um Forrock, tipo um Alceu Valença mais pesado, com direito a triângulo, pífano e flauta. Para quem é brasileiro, o título da música inevitavelmente vai provocar a imaginação. Lampião faz parte do imaginário popular há muitos anos, numa mistura de bandidagem e rebeldia forjadas no cangaço e na época do coronelismo. Ele ficouu conhecido por inúmeros crimes e assassinatos, tanto contra pessoas pobres quanto também contra pessoas ricas. Ele não era o único, pois entre 1910 e 1940 diversos outros homens se especializaram na bandidagem, sendo conhecidos pelo nome de cangaceiros. Como eles roubavam também e até principalmente os ricos, os comerciantes e os donos de grandes fazendas, acabaram ganhando a simpatia de parte da população. Eike Batista é uma figura pública brasileira, tanto pela sua fortuna (na época do lançamento desse disco, estimada em 30 bilhões de dólares), quanto pelo fato de ter sido casado com Luma de Oliveira, uma das grandes musas do povo brasileiro; alguns anos depois, Eike foi preso. O baixo contribui maravilhosamente para a composição. Os vocais são em tom de chamado, de clamor. Muito swing no decorrer de todas as partes instrumentais. Um violão espetacular costura os instrumentos nas partes menos pesadas. Os pontilhados da guitarra estão precisos, e tem momentos deliciosos em que lembra as interpretações de Valença para o frevo. As letras são um caso à parte. Começa narrando que vários cangaceiros estão juntos, margeando o Rio São Francisco.
"De repente um escarcéu aperreia a todo bando
Vem um trem rasgando o céu e na terra vai pousando
Do grande urubu de lata, cercado por muitos hômi
Desce um gringo de gravata falando ao telefone
Uns hômi tudo de preto, peste vinda do futuro"
Os seguranças ameaçam botar os cangaceiros para correr. Eike intervém. "- Perdoem a grosseria desse empregado meu
Sou homem civilizado, não gosto de violência
Trago papel assinado, prezo pela transparência
A terra é, de fato, minha. O governo fez leilão"
Eike oferece um tipo de ressarcimento, e eis que Lampião afirma: "Se tu gosta de X, mais um X eu vou lhe dar no xaxado que diz XISPA!
E os hômi tudo de gravata desandaram a fugir
Subiram no urubu de lata e arredaram o pé dali"
Fazem um trocadilho da primeira sílaba de Eike com "Ai, que, ai, que, há que resistir".
Muito criativa a parte em que executam um xote sombrio. Também considero super importante compartilhar minha observação de que fazem também uma homenagem aos repentistas nordestinos. Letras incríveis, realmente memorável!
Na 2a música é usado um trecho de um discurso do subcomandante Marcos: la bala que mató a mi hermano. Do documentário "Um lugar chamado Chiapas". Ele narra poeticamente a morte de um companheiro zapatista pelas forças do governo. Musicalmente, abrem com reggae, partem logo para um rock pesado, inserindo alguns poucos elementos de coco. Pequenas intervenções muito boas do clarinete. Fraseado incrível na guitarra. Robustas e complexas harmonias vocais e poli-vocais. Acrescentam efeitos de fita para enriquecer as vocalizações. Mais para o final entra um trompete sensual, me lembrando um pouquinho de tango. E no finalzinho alternam um reggae tranquilo com rock pesado. Também trazem um pouco de maracatu. E um bocadinho de calipso também.
A 3a faixa é bem melódica, com uns elementos de soft-jazz. Faz uso inteligente, mordaz e impactante de clichês evangélicos/católicos nas letras. Esse é o grande trunfo dessa música. Tem um trechinho com rock ainda na primeira metade da canção. Mas de um modo geral o ritmo é mais de balada. Os vocais em muitos momentos remetem às memórias que a população tem dos pastores evangélicos quase gritando ou gritando frases de efeito. Na 2a metade tem um pouco de MPB com sabor de anos 60 para 70. Fazem excelentes alternâncias entre os vocalistas, e fabulosas escolhas dos momentos para ter backing vocals e coro. Mais pro final, uma guitarra sola, com gosto de anos 80. O finzinho tem elementos de acid rock. Mais um para a lista de esplêndidas letras, na discografia da banda.
Uma cantiga de ninar sustenta o início da próxima música. Um baixo pesadíssimo marca a próxima parte, em compassos inesperados. Me lembra um mangue beat pesado. De repente volta pra cantiga de ninar. Vocais aveludados participam, mas o baixo com uma tonelada dá seu recado às vezes. Uma marcha firme faz a transição para outra parte, que me lembra até um GENTLE GIANT com um pé firme no acústico. Todos os instrumentos envolvidos em compassos bem complexos.
Prelúdio em HD é no estilo vocal africano.
A próxima faixa tem reggae e principalmente calipso. Os vocais estão africanos, mas estão clamando menos e mais musicais, se comparado com o faixa anterior. O baixista produz umas puxadas muito boas nas cordas. Tem um momentinho que fica mais pesado. Fica um rock na segunda metade. As letras aqui não estão tão inspiradas quanto antes. Bem, musicalmente, mais para o final a seção rítmica fica consideravelmente mais pesada.
A 7a faixa é um rock cheio de paradas, de uma forma que a composição não engrena. É o momento mais fraco do álbum. Até porque as letras também não convencem muito.
A próxima faixa tem um naipe suave e sinfônico de metais. Não tem nada a ver com Stravinsky, como o título sugere (eu, pelo menos, não identifiquei). Mas tem uns momentos que me lembraram de Gustav Holst. Os fraseados não têm muita conexão entre si, tornando a composição meio confusa. Parece que vai engrenar mas não engrena.
A última música tem um rock firme, com ar de celebração. Bons fraseados nas guitarras, e consistentes harmonias vocais. Há umas passagens mais tranquilas, mais para um soft-pop. Tem um momento, mais para o final, com um tom circense; é quando tocam num swing gostoso, com a guitarra rítmica e trompete e trombone brincalhões. As letras tem umas partes inteligentes. Os Saltimbancos foi um clássico da MPB, composta por Chico Buarque de Hollanda.
Faixas:
01. O Encontro De Lampiao Com Eike Batista (8:22)
02. Pedras E Sonhos (5:42)
03. Adeus Adeus (8:03)
04. Cantiga De Ninar (3:22)
05. Preludio Em HD (2:06)
06. N'aghade (6:51)
07. A Caca Que Se Apaixonou Pelo Cacador (5:02)
08. Consagracao Da Primavera (4:59)
09. Os Assaltimbancos (5:40)
Discografia:
2004 ● Como Qualquer Outra Coisa
2008 ● Cidade Das Almas Adormecidas
2012 ● Pedras e Sonhos
2014 ● A Cantiga É Uma Arma
2018 ● Memórias Do Fogo
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