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sexta-feira, janeiro 23

DUNAJ ● Iva Bittová + Dunaj ● 1989

Artista: DUNAJ 
País: República Tcheca
Gênero: Avant-Prog
Álbum: Iva Bittová + Dunaj
Ano: 1989
Duração: 39:06

Músicos:
● Iva Bittová / vocais, percussão
● Jiří Kolšovský / guitarra, vocais, percussão
● Josef Ostřanský / vocais, guitarra, percussão
● Pavel Richter / guitarra, vocais
● Pavel Fajt / bateria, bongos, percussão, vocais
● Vladimír Václavek / vocais, guitarra, baixo
● Růžena Hedrichová / direção artística

Quando, em 1986, se juntaram os vocalistas Iva e Josef, com alguns outros músicos, todos já tinham alguma carreira em outros projetos. Iva, particularmente, já tinha uma sólida carreira como atriz, participando desde bem nova de filmes de meados dos anos 70. Nos anos 80, ou seja, já como adulta, aprendeu a tocar violino. Sem deixar de atuar em outros filmes. Não bastasse isso, ela se formou Mestre em Musicologia em 2018. Quanto à sua parceria com o grupo DUNAJ, eles só a retomaram em mais dois outros lançamentos, que estão entre os últimos da discografia deles. O álbum analisado a seguir é a estréia da banda.
As músicas são praticamente todas curtas. Cantado em sua língua nativa, o que traz um charme especial, pois é uma língua cheia de consoantes (pelo menos essa é minha impressão)
Começa com uma abordagem eletrônica, que vai se tornando roqueira. Vocais, masculino, narrados, num tom abaixo do instrumental. Abertura curta.
A narração permanece na próxima faixa. O instrumental fica um pouco mais atonal, lembrando um pouco CARDIACS, ou ainda STEREOLAB. Vocais femininos assumem, o que traz também mais expressividade ao canto.
Agora, há uma combinação de vocais masculinos e femininos na 3a faixa. Harmonias vocais inesperadas. Um aspecto que já aparecia antes, mas aqui fica mais evidente, é que eles usam recursos rítmicos em todos os instrumentos (não só na bateria) de uma forma bem incomum.
Adotam uma estrutura mais tranquila na próxima faixa, entregando um clima mais etéreo. Os vocais ficam mais melódicos, levemente sussurrados. Muito bonito. Quando, com um minuto, entra a seção rítmica, elaboram contrapontos inventivos e criativos. A moça canta muito, sabe adaptar muito bem o tom e a consistência de acordo com a proposta instrumental. O que estava indo muito bem, todavia fica um pouco repetitivo, do ponto de vista instrumental.
Na 5a faixa, o baixo apresenta uma ambientação soturna, que vai crescendo, para chegar numa seção rítmica um pouco simplória. Os vocais de Iva continuam incríveis, dessa vez fazendo alterações tanto de tom, quanto de brilhantes contrapontos entre agudos e graves. E faz em alguns breves momentos algumas execuções em soprano. É até um tanto quanto compreensível que o instrumental não seja muito elaborado: eles não querem "engolir" a vocalista. Por isso que a guitarra é econômica ao pontuar notas.
O início um pouco mais acelerado da próxima faixa se mantém em praticamente toda essa composição. O baixo mais uma vez tem bastante relevância. No meio da música mudam para um interlúdio quase que só nos vocais, desenvolvidos com compassos complexos. Mais para o fim voltam para aquela proposta um pouco mais acelerada. Nesse momento me ocorre que eles não são muito bons em encerrar as composições.
Uma guitarra um pouco surf music, mas divertida, fornece a estrutura da 7a faixa. A vocalista mais uma vez demonstra incrível versatilidade e experiência. Ela consegue dar um tom de brincadeira com muita inteligência. Do meio em diante alternam as propostas bem humoradas com avant-prog um pouco mais sério.
Os vocais da 8a faixa estão mais falados do que cantados, e com o tempo (bem, é uma composição curta, com menos de 3min) alternam fala com canto. O instrumental vai transitando entre duas harmonias. Como não desenvolvem sutilezas nos arranjos, nem nas transições entre as harmonias, essa música não se destaca no álbum.
A guitarra rítmica traz um estranhamento inicial aos meus ouvidos, na próxima música. E ao mesmo tempo uma sensação de inovação. Dessa vez não insistem na mesma idéia, e o instrumental vai desenvolvendo outras harmonias, com mudanças interessantes de arranjos. Pouco antes da metade vão fazendo uma alteração, para um andante lento sombrio (inclusive acompanhado de risadas maquiavélicas), que vai por sua vez virando uma marcha, cada vez mais firme. É uma das músicas instrumentalmente mais complexas do disco. Aliás, é quando a bateria demonstra mais variedade rítmica e melódica. Aqui, os vocais são o tempo todo masculinos (uma sábia escolha), e são bem construídos.
Um belo violão abre a 10a faixa, com elegância e sensibilidade. Os vocais, masculinos, estão baixinhos. Quando entra o canto da moça é com firmeza, e alto, e fica acompanhada de densas harmonias. Essa música tem um ar de ancestralidade, muito cativante, sobretudo na parceria violão/percussão. E é também uma das melhores músicas da obra.
Acelerando na guitarra e na bateria, apresentam um rock alternativo na próxima música. Eles são bons em fazerem contrapontos atonais, mas sem ficarem muito caóticos. Entretanto, essa técnica não basta para manter o frescor do trabalho até o final. Portanto, aqui começam a ficar um pouco cansativos. Pelo menos na segunda metade da faixa ficam mais livres para solar dentro do eixo central da composição. Mas não conseguem entregar solos cativantes.
Na última faixa, um singelo violão, levemente folk, é acompanhado com excelência com o mavioso canto da moça. Que belo dueto. Muito intimista e caloroso. E dessa vez encerram a faixa com genialidade.

Faixas:
01. Ouvertura (1:31)
02. Kase (2:30)
03. Dunaj (3:06)
04. V Bílém (4:36)
05. Bumerang (2:57)
06. Sen (2:36)
07. Divoká Svině (2:28)
08. Zrcadlový Sál (2:49)
09. Kobylky (5:47)
10. Rukama (3:24)
11. Roztočená (3:49)
12. V Černém (3:33)


Discografia:
1989 ● Iva Bittová + Dunaj 
1991 ● Rosol
1993 ● Dudlay
1994 ● IV
1995 ● Pustit musís
1996 ● La la lai
2022 ● Za Vodou

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