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sexta-feira, janeiro 2

CHEAT THE PROPHET ● Redemption ● 2025

Artista: Cheat The Prophet
País: Estados Unidos
Gênero: Neo-Prog
Álbum: Redemption 
Ano: 2025
Duração: 37:48

Músicos:
● Matt Mizenko: baixos, guitarras, teclados, programação, vocais
● Todd Mizenko: guitarras, teclados, programação, vocais
● Jamie Boruch: bateria, percussão
Com:
● Dan Vitco: teclados (faixas 3 e 5)
● Mike Zaffarese: solo de guitarra (2)
● Jake Schwartz: guitarra com cordas de nylon (1)

Os irmãos Matt e Todd Mikenzo são ambos multi-instrumentistas, e tocam juntos desde início dos anos 90, apresentando-se em clubes de Nova Iorque e Nova Jersey. Tocando um som com elementos de euro pop e neo prog. Na época adotaram a denominação ARS NOVA, e lançaram um CD, 'Turning The Tide', em 1993. Pouco depois mudaram o nome da banda para NEPENTHE, que por sua vez foi encerrada em dezembro de 1999, depois de lançarem um CD em 1997. Os Mikenzo sempre foram o núcleo central e criativo desses projetos. Como o NEPENTHE foi um fracasso comercial, cada um dos dois tomou um rumo diferente, no ramo da música. Num fim de semana em que Jamie e um dos irmãos foram praticar ciclismo nas montanhas de Idaho, ao fim da pandemia de Covid, entenderam que deveriam tentar de novo, embora estivessem morando longe um do outro.

A primeira coisa a comentar sobre essa obra é que ela não tem música fraca. A 1a metade da 3a faixa é meio fraca, mas a outra metade é tão magnífica que compensa. A 5a faixa é a "mais progressiva", pois tem mais mudanças de compasso, mais energia e mais versatilidade.

Um dos muitos pontos altos dessa obra são sobretudo os violões. Até mesmo numa faixa - no caso a 4a - toda somente no violão, são fenomenais, ou seja, eles exploram tão bem o instrumento que não cansa ouvi-los, e praticamente nunca fica repetitivo. Outro ponto a se destacar são as harmonias vocais, muito elaboradas e passionais. Talvez os timbres vocais não agradem àqueles com restrições ao neo-prog (eu mesmo tenho severas críticas, nesse sentido, aos vocais da grande maioria dos álbuns de neo-prog); todavia, de minha parte o instrumental é tão refinado, e a versatilidade de técnicas de canto são tão boas, que acabo nem prestando muita atenção a esse elemento "indesejável".

Ademais, esse disco me ajudou a refletir sobre uns aspectos da música. A seguir compartilho minhas divagações. Como avaliar uma expressão humana subjetiva como a música? Este é um assunto muito complexo e, para não me prolongar muito, vou adotar uma abordagem simples e com um recorte muito específico, pontual. Se você pensar na música pela sua quantidade, vai medir as canções pelo número de harmonias (ou de harmonias complexas) e/ou instrumentos presentes na sua execução. Observo que muitos ouvintes absorvem muito do que ouvem dessa maneira. Mas também noto que muitas pessoas consideram a qualidade das harmonias tão importantes quanto a quantidade, ou até mais. Tenho certeza de que não me encaixo em nenhum dos extremos dessa "régua". Agora você deve estar pensando: o que isso tem a ver com este álbum? Ok, então, vou direto ao ponto: aqui, a qualidade é o que importa, muito mais do que a quantidade. Não estou dizendo de antemão que este lançamento tem um alto padrão de qualidade (tem, na maioria das vezes). O que estou dizendo é que você não encontrará harmonias super-complexas e mudanças constantes de tonalidade e arranjos. Deixe-me dar alguns exemplos de músicas onde a qualidade as define: RUSH - The Trees; YES - Soon; OK GOODNIGHT - The Raccoon (and the Myth).

Agora sigamos para a análise de cada faixa.
A primeira centra-se num fraseado, inicialmente assumido pelo piano, e doravante executada pelo sintetizador e outros instrumentos. Parece monótono, não é? Para mim, não, devido à capacidade deles de fazer grandes mudanças nos arranjos e também pela forma como jogam de um para o outro esse fraseados e as mudanças sutis que nele imprimem. Ademais, vão combinando instrumentos ao longo da composição, de maneira muito fluida e consistente. A partir da metade da música exploram outras fraseados e idéias.

A seção rítmica da próxima faixa começa de forma bastante simples, mas apresenta boas interpretações e arranjos vocais, além de uma pegada mais pesada na guitarra. Logo em seguida, as harmonias melhoram, ficam mais dinâmicas e densas. Nada brilhante, contudo é atraente e genuíno. No último terço da música, eles reúnem com muita inteligência as idéias anteriores, entregando uma musicalidade notável.

A introdução da terceira música tem um riff até um pouco brega no piano/sintetizador, com melodias pop no violão e uma vibe "que mundo maravilhoso" nos vocais... o que posso dizer? Entediante. É difícil de ouvir por completo. No entanto, o último terço é fantástico, mas isso não impede ela de ser a composição menos inspirada do álbum.

Melodias muito serenas e inventivas, que combinam perfeitamente ritmo e melodia, são criadas pelo violão na faixa seguinte. Esse tipo de música é uma das propostas do rock progressivo dos anos 70 que realmente sinto falta no prog contemporâneo. É muito bom quando, de vez em quando, surge uma canção acústica bem elaborada.

Alguns ruídos psicodélicos dão início à quinta faixa. Logo em seguida, harmonias intensas e vigorosas são executadas, com fraseados excelentes na bateria e uma guitarra penetrante. Os vocais se encaixam incrivelmente bem, e os sintetizadores contornam os outros instrumentos de forma suave e enfática. Mais tarde, belas melodias de piano encontram seu espaço na composição. Nesse ponto, o ouvinte provavelmente concluirá que esta é a música mais complexa do álbum, e ele está certo. Há muitas mudanças nos arranjos, cadências e nos instrumentos que assumem o protagonismo. Afortunadamente, esta é a faixa mais longa da obra, com 11 minutos. Perto do final, eles adicionam alguns elementos pomposos.

A faixa de encerramento tem menos de 2 minutos. Começa muito intensa e rápida, com uma execução matadora nos teclados e na guitarra. De repente, fica muito lenta. Essa transição é estranha, não combina. Está entre as duas faixas menos impactantes do disco.

Faixas:
01. Chaos (05:43)
02. Bad Bitch (08:11)
03. Marvelous World (Losing Season) (06:53)
04. Paper White (04:11)
05. Whisper (11:08)
06. Zaff's Fez (Bonus Track) (01:42)

 

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