País: Brasil / Reino Unido
Gênero: Progressivo Eclético
Álbum: Stillness and Trust
Ano: 2024
Duração: 33:03
Músico:
● Caio Duarte: vocais, bateria, baixo, guitarra, sintetizador e piano. Produção e mixagem.
Encabeçado por um artista multifacetado, nascido em Brasília, esse projeto é um dos quais Caio Duarte está envolvido. No primeiro lançamento do IFALL, que não escutei na íntegra, ele canta em português, e mescla MPB, jazz e pop. Em outra vertente de trabalho, ele compõe trilhas sonoras, como a do filme "Asra", é vocalista do grupo brasileiro de prog-metal DYNAHEAD (esse grupo está em hiato), e produz outros artistas. Principalmente através de seu estúdio, chamado Broadband Studios, que segundo minhas pesquisas, tem um braço em Brasília e outro no Reino Unido; para citar uma das inúmeras bandas que ele produziu, tem uma bem interessante, ARANDU ARAKUAA, que combina metal com música indígena/tribal, e alguns elementos de música nordestina; ademais, tem o charme de vocalista feminina e masculino que cantam em tupi.
Atualmente Caio mora em Londres.
Esse trabalho foi lançado em dezembro de 2024 e não saiu em mídia física. Começa com um vocal coeso, num inglês beirando a perfeição, e junto com o instrumental, entrega um clima calmo. Entram cordas, emuladas, que vão crescendo, contornando uma esplêndida atmosfera para o canto. Com um minuto entram harmonias poli-vocais fantásticas! A guitarra, pesada, abre caminho por entre essas maravilhas; ela dá uma parada, para dar lugar a uma boa seção rítmica. Que por sua vez acelera um pouco, antes de um lírico e singelo violão. O vocalista vez ou outra me lembra os recursos de Einar Solberg. Mesmo quando a massa sonora se adensa, ele continua se sobressaindo. Finalizam a faixa com harmonias inacreditavelmente inspiradas.
A faixa seguinte começa na voz e violão. Entra um sintetizador, que junto com algumas vocalizações, desenvolvem um timbre único, encantador. A bateria vai sendo explorado pela vassourinha-baqueta, com muita sensibilidade e o toque certo. A composição é dinâmica, cheia de mudanças, umas mais firmes, outras mais sutis; nem percebo o tempo passar, pois quando percebo, essa música acabou.
Na 3a faixa, a voz e o violão continuam em primeiro plano. Bem aos poucos, pontuando de leve, vão entrando aqui e ali uma guitarra e sintetizador, bem amenos. Os vocais vão crescendo, um pouco antes de uma virada impressionante (apesar de ser relativamente moderada) da harmonia, quase migrando para uma balada prog. Muito bem feita, atesto. Continuam mudando mais um pouco, passando por uma marcha, e numa surpresa super positiva, trazem um pouco de violão caipira. Mais para o final executam harmonias vocais fa-bu-lo-sas!
Uma guitarra rasgada, com uma bateria em tons graves e pesados (porém sem pressa), abrem a música seguinte. Esse trabalho é muito bem produzido, pois mesmo nesse cenário bem cheio instrumentalmente, dá para escutar o piano. Abaixam um pouco o volume e a cadência, para a entrada dos vocais. A música vai ganhando um pouco de velocidade, tanto no ritmo quanto nas viradas, o que acaba tendo a função de preparo para os vocais transitarem entre as notas mais altas. Caraca, esse cara canta muuuuito! E como muda bem dos agudos pros graves, vice-versa, as entonações e o momento de empossar mais o canto. Que aula! Por sua vez, a parte instrumental apresenta várias camadas e idéias, sem nunca (ou praticamente nunca) passar do ponto.
Um piano melancólico introduz a 5a faixa, mas logo assume feições celestiais, em seu diálogo com o sintetizador, mais uma vez assumindo timbres característicos de cordas. Lindo, lindo, acalma imensamente meu coração! O canto é cristalino e tranquilo (como Tom Englund consegue fazer no projeto SILENT SKIES). Nossa, meus adjetivos para elogiar esse cara vão acabar antes do fim da resenha, hehe... a execução segue assim, voz/piano/sintetizador, e mesmo assim, com poucos instrumentos, desenvolve uma imensa riqueza.
Um violão varrido, digamos mais alegre, está no começa da música seguinte. Logo entre uma boa seção rítmica, o piano mais uma vez bem nítido. Mudança muito bem feita para violão gentilmente dedilhado, e uma cadência mais acolhedora, junto com os vocais. Dessa vez a composição tem menos camadas, e pouco depois da metade um ritmo mais pesado, com brevíssimos solos de guitarra, dão uma revigorada na música. No último quarto a música ganha ótimas potentes harmonias poli-vocais. E termina muito bem com o violão.
É com uma batida eletrônica e abafada que ocorre a introdução da última faixa. Os vocais são em meio-tom. É tudo meio soturno. Segue assim, sem nenhuma mudança, até que um pouco antes da metade, outros efeitos sonoros entram. Em um dado momento, sai a batida que se repete, sintetizador e piano vão com cuidado, para não atrapalhar os vocais. Que por sua vez cresce, junto com as cordas.
Há tempos eu não conhecia uma obra nacional tão bem trabalhada e criada. Definitivamente recomendado.
Faixas:
01. Steel and Ills (4:34)
02. Air (3:42)
03. Temple of You (4:11)
04. Heed Within (5:46)
05. The Humger and the Thirst (4:31)
06. Sol Ipsis (4:45)
07. Mount Mistake (4:51)

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