Por muitos anos essa obra só esteve disponível em
LP. Passou a integrar alguns streamings, até que esse ano saiu em CD, com
algumas faixas bônus. Meu CD é pirata, de um “selo” russo, denominado SWS. Lançado
em 2021.
Segundo o site discogs, se desmembraram em 1978. No Facebook deles, criado em 2020, há muitas fotos deles nos anos 70. E a informação de que realizaram dois shows em agosto de 2021, na mesma cidade. Também há fotos desses shows, mas nenhuma informação posterior.
Agora sigamos à resenha.
Começa com um sintetizador grave, podendo vir a
fazer o ouvinte pensar que é um disco de música eletrônica. O próximo
instrumento a entrar são a bateria e a guitarra, um pouco repetitivos. Quando
começam as viradas de bateria, as marcações firmes e progressivas do baixo, o
fraseado cheio de groove do piano, a proposta muda totalmente. Entrando no
progressivo sinfônico, estilo que prevalece até o fim do álbum.
Há uma presença acentuada da guitarra. Muito longe
do modelo fusion e e/ou do estilo melódico.
Na segunda faixa mais uma vez não começam tão bem.
Engrenam quando deixam a guitarra liderar a composição, e quando os outros
músicos buscam mais espaços na composição. Em dado momento mudam
consideravelmente o compasso, depois voltam ao anterior, fazendo alternâncias e
combinações inventivas.
A cadência menos acelerada, quase lenta, da
terceira faixa, combina com o fato dela ser a mais longa do disco, chegando a
quase 10min. Harmonias vocais incríveis, como aliás em praticamente todo o
disco, mas que aqui estão particularmente inspiradas. Os vocais levemente
agudos e ao mesmo tempo discretamente, muito sutilmente anasalados, são ótimos.
Há uns solos interessantes do trombone elétrico. No meio da canção, um looping
interessante vai crescendo, e em dado momento acelerando e se enriquecendo, com
uma excelente cozinha instrumental. Há um slide guitar no finalzinho, que pode
passar despercebido.
A harmonia que abre a faixa seguinte, envolvendo
sintetizador low-profile, umas marcações comedidas da bateria, o trombone e
saxofone densos, é espetacular! A guitarra apresenta um fraseado estupendo, mas
em ocasiões posteriores apresenta uns efeitos psicodélicos sutis e marcantes. Vão
construindo magnificamente o caminho para o estilo próprio deles, um rock
grooveado, na companhia de harmonias vocais novamente magníficas.
Notas envolventes no baixo assumem boa parte da
composição no início da 5ª faixa. “How can I be loving you, when I know you
won’t be around. And how can I be loving you today? How can I be loving you
when my feet are on the ground, how can I be loving you this way”. Quando
termina um conjunto de refrões, entra uma flauta maviosa. Ela sai para dar mais
espaço a novos refrões: “How can you be telling me I know how to rock and roll?
How can you be telling me tonight?”, entre outros refrões sensuais e poéticos.
Ao fim deles, a cadência dá uma leve acelerada, a guitarra apresenta uns solos
um pouco mais incisivos.
Na música seguinte, que é bem curtinha, uma
abordagem levemente funky se apresenta. O uso dos instrumentos de sopro mostra
clara influência de James Brown.
Os tons são um pouco mais graves e sinfônicos na última faixa, sobretudo nos sintetizadores e baixo; sobretudo em boa parte da segunda metade da canção. A guitarra tem um papel significativo.
Essa banda me lembra algo do FOCUS; especificamente algo do primeiro disco e do Focus com Proby. Ou seja, não se assemelham a meu ver nem um pouco com obras como Moving Waves, 3 ou Hamburguer Concerto. Pois esses discos do FOCUS foram os que mais dialogaram com a música erudita. STRONGBOW tem bastante groove, como muitas músicas do Focus, mas dialogam pouco com o erudito. Têm, sim, proximidade com o rock, blues-rock e um pouco do hard-rock, e particularmente com bandas como BAD COMPANY e as primeiras coisas do FOREIGNER. Entretanto, devido à complexidade tanto das harmonias e arranjos, são inegavelmente (para mim) integrantes do estilo rock progressivo. Outro diferencial significativo com relação ao Focus é que todos os cinco músicos são vocalistas. Acho fantástico quando isso acontece e é explorado na obra.

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