1966: O Ano em que o Rock Ganhou Novas Cores - 10 discos que estão completando 60 anos de lançamento
por Fabio Costa
Prenúncio de mudanças significativas no cenário musical, 1966 foi um ano de explosão criativa incomparável. As bandas começaram a abandonar as convenções mais simples do início da década para experimentar novos instrumentos, técnicas de estúdio e letras mais maduras. Abaixo, listamos 10 discos fundamentais lançados naquele ano mágico:
| Simon & Garfunkel | ||||
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Sounds of Silence Janeiro De forma totalmente inesperada, o sucesso colossal da faixa-título surpreendeu os músicos e a gravadora na mesma medida. Lançada originalmente em uma versão puramente acústica em 1964, no disco de estreia "Wednesday Morning, 3 A.M.", "The Sound of Silence" passou quase totalmente despercebida pelo público. Foi o produtor Tom Wilson que, percebendo a ascensão do Folk Rock, pegou a fita original e adicionou guitarras elétricas, baixo e bateria. Ele fez isso sem que Paul Simon ou Art Garfunkel soubessem! Embora a faixa-título seja o grande chamariz, o álbum é recheado de composições brilhantes, como os clássicos absolutos "I Am a Rock" (um verdadeiro hino sobre isolamento emocional), a delicadíssima "April Come She Will", a belíssima "Kathy's Song" e "Richard Cory", que mostra um lado mais sombrio e crítico nas letras.
Love Março A estreia da influente banda de Arthur Lee trouxe uma mistura crua de Folk Rock, Garage Rock e Psicodelia, , pavimentando o caminho criativo para o som característico de Los Angeles. Antes do sucesso estrondoso do The Doors, o Love era a banda residente e a atração principal indiscutível do lendário clube Whisky a Go Go, dominando a cena da Sunset Strip. Além da genialidade musical, o grupo fez história por ser uma das primeiras bandas de rock dos Estados Unidos a ter uma formação multirracial. Arthur Lee e o guitarrista principal Johnny Echols eram negros, tocando ao lado de músicos brancos como Bryan MacLean e Ken Forssi, algo muito à frente do seu tempo para a sociedade americana de 1966. O grande sucesso do disco foi a faixa "My Little Red Book". Originalmente uma composição suave e Pop de Burt Bacharach, que a banda a transformou em um hino cru de Garage Rock com um riff de guitarra marcante e agressivo |
| The Rolling Stones |
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Aftermath Abril Verdadeiro marco na carreira do grupo britânico, "Aftermath" foi o primeiro álbum dos Stones onde Mick Jagger e Keith Richards assinaram todas as composições. Brian Jones também brilhou imensamente, introduzindo instrumentos pouco convencionais no Rock britânico, como a marimba e o sitar. Este é, sem dúvida, um dos discos mais importantes da história dos Rolling Stones, mostrando que a banda tinham fôlego para bater de frente com a genialidade composicional de John Lennon e Paul McCartney. Enquanto muitas bandas cantavam sobre o amor de forma idealizada, "Aftermath" mergulhou em temas mais cínicos, sombrios e provocativos. Letras de músicas como "Stupid Girl" e a própria "Under My Thumb" renderam à banda acusações de misoginia, mas ao mesmo tempo consolidaram definitivamente a imagem de "bad boys" e rebeldes que os acompanharia para sempre. |
| The Beatles |
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Agosto
Obra-prima que mudou as regras do jogo dentro do estúdio, "Revolver" mostrou George Harrison, Paul McCartney, John Lennon e Ringo Starr abraçarando a vanguarda e a Psicodelia de vez, entregando faixas inovadoras que expandiram para sempre os limites do que a música Pop poderia ser.
O álbum marca o ponto exato em que o estúdio de gravação deixou de ser apenas um local de captação para se tornar um verdadeiro instrumento musical nas mãos dos quatro Beatles. Sob a genialidade do produtor George Martin e a ousadia do jovem engenheiro de som Geoff Emerick, a banda revolucionou as técnicas de produção, criando paisagens sonoras com loops de fita, vocais passados por caixas rotativas e solos de guitarra invertidos, culminando na viagem psicodélica absoluta de "Tomorrow Never Knows", de John Lennon. Além dessa inovação tecnológica sem precedentes, o disco impressiona pela maturidade de seus integrantes, indo do arranjo impecável de cordas clássicas na melancólica "Eleanor Rigby", de Paul McCartney, até a imersão profunda de George Harrison na música indiana com a complexa "Love You To".
| Jefferson Airplane |
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Agosto
Vôo inaugural de um dos maiores nomes do Rock de São Francisco, "Jefferson Airplane Takes Off" foi gravado antes da entrada de Grace Slick. Nesta época os vocais femininos ficaram a cargo de Signe Toly Anderson, que ao lado de Marty Balin, entregaram um Folk Rock de altíssima qualidade que já flertava com a psicodelia reinante da época.
Liderado pelos fundadores Marty Balin e Paul Kantner, o Jefferson Airplane apresentava aqui uma formação embrionária e cheia de talentos singulares, que incluía o baterista Skip Spence (que logo sairia para formar a cultuada banda MOBY GRAPE). O álbum ainda está fortemente enraizado no Folk Rock harmonioso que dominava a época, mas faixas marcantes como "Blues From an Airplane" e "It's No Secret" já demonstram a urgência elétrica, as guitarras entrelaçadas e as sementes da improvisação que definiriam o rock psicodélico que eles mesmos ajudariam a popularizar no ano seguinte.
Terceiro álbum de estúdio do The Byrds, "Fifth Dimension" marcou uma evolução gigantesca na sonoridade da banda e na história do Rock. A maior parte do álbum foi gravada após a saída de Gene Clark, principal compositor da banda. Numa tentativa de compensar a ausência de Clark, os guitarristas Jim McGuinn e David Crosby aumentaram sua produção como compositores, no entanto, o álbum contém quatro covers e uma faixa instrumental, que os críticos descreveram como "extremamente irregular" e "desajeitado e disperso". Esse foi o primeiro álbum dos Byrds a não incluir nenhuma música escrita por Bob Dylan, cujo material havia sido anteriormente um pilar do repertório da banda.
O álbum também marca o momento em que a banda abandona a inocência do Folk Rock para abraçar o desconhecido. Altamente influenciados pelo Jazz de John Coltrane e pela música clássica indiana de Ravi Shankar, Jim McGuinn e David Crosby criaram o que ficaria conhecido como Raga Rock. O ápice dessa experimentação cósmica é a revolucionária e polêmica "Eight Miles High", banida de várias rádios por supostas referências a drogas, mas que imortalizou linhas de guitarra hipnóticas e dissonantes que mudaram definitivamente o rumo da música Psicodélica.
O disco de estreia homônimo do Buffalo Springfield é um dos documentos mais fascinantes do Folk Rock californiano e o berço de uma das maiores concentrações de talento da história do Rock. Lançado no final de 1966, o álbum marcou a colisão criativa, brilhante e muitas vezes volátil, entre Stephen Stills e Neil Young, perfeitamente apoiados pela voz cristalina de Richie Furay e uma base rítmica sólida. Enquanto muitas bandas ainda lutavam para encontrar uma identidade própria, o Buffalo Springfield já estreou misturando harmonias vocais impecáveis com a sensibilidade do Country e o peso incipiente das guitarras elétricas, criando uma sonoridade pioneira que ajudaria a definir todo o movimento musical de Laurel Canyon nos anos seguintes.
Oscilando com maestria entre a doçura melódica e a tensão, o álbum tem como destaques a complexa e melancólica "Nowadays Clancy Can't Even Sing", de Neil Young, e o lirismo mais direto de Stephen Stills, em "Leave". Um detalhe histórico sobre o álbum é que a primeira prensagem não continha o maior sucesso da banda; no entanto, a gravadora agiu rápido e reeditou o álbum logo depois para incluir o hino absoluto "For What It's Worth".
Registo que marca o nascimento do Power Trio por excelência. "Fresh Cream" apresenta ao mundo, Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker unindo forças para criar um som pesado, virtuoso e fundamentado no Blues, plantando as sementes que mais tarde se tornaria o Hard Rock.
Com a união de três músicos de técnica absurda, o Cream pegou a essência do Blues tradicional de artistas como Willie Dixon e Robert Johnson e a injetou com distorção e amplificação máxima. Enquanto Ginger Baker trazia a complexidade polirrítmica do Jazz para a bateria e Jack Bruce transformava o baixo em um instrumento melódico principal, Eric Clapton solidificava seu status de "deus" da guitarra com o lendário "woman tone", entregando solos virtuosos e viscerais em faixas como "I Feel Free" e a imponente versão de "Spoonful".
| The Who |
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Dezembro
Pressionados pelos empresários a escreverem o próprio material para maximizar os lucros com direitos autorais, os membros do The Who entregaram em "A Quick One" um disco diversificado, caótico e brilhante.
Ao contrário de outros álbuns do The Who, onde o guitarrista Pete Townshend era o principal ou único compositor, "A Quick One" apresenta contribuições significativas de todos os membros da banda. Roger Daltrey contribui com "See My Way", o baixista John Entwistle revelou seu humor macabro e peculiar na pesada "Boris the Spider" e o baterista Keith Moon contribuiu com "I Need You" e a instrumental " Cobwebs and Strange". O marco histórico do álbum repousa na visão visionária de Pete Townshend, com a faixa-título "A Quick One, While He's Away". Townshend costurou seis pequenos fragmentos musicais em uma suíte ininterrupta de nove minutos, criando a primeira "mini-ópera" do Rock, um ensaio ousado que pavimentaria a estrada direta para a grandiosidade conceitual da futura obra-prima "Tommy"











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