País: Estados Unidos
Gêneros: Jazz-Rock/Fusion, Latin Rock
Álbum: Abraxas
Ano: 1970
Duração: 37:24
Músicos:
● Carlos Santana: guitarras e vocais
● Greg Rollie: teclados e vocais
● David Brown: baixo
● Jose 'Chepito' Areas: timbales, congas e percussão
● Michael Shrieve: bateria
● Mike Carabello: conga
Com:
● Alberto Gianquinto: piano
● Rico Reyes: percussão, backing vocals
● Steven Saphore: tabla
Lançado em 1970, "Abraxas" não é apenas o segundo álbum de Carlos Santana; é o manifesto definitivo do que conhecemos como Latin Rock. Após uma performance histórica em Woodstock, a banda que leva o nome do guitarrista refinou sua mistura explosiva de ritmos afro-cubanos com o Blues-Rock psicodélico, criando uma obra que soa tão mística e vibrante hoje quanto há 50 anos.
O título "Abraxas" (retirado do livro Demian, de Hermann Hesse) sugere uma divindade que representa tanto o bem quanto o mal, o sagrado e o profano. Essa dualidade está presente na música do disco. A espiritualidade das melodias de guitarra de Santana, "choram" e "cantam" com um sustain infinito. A percussão visceral de José "Chepito" Areas e Mike Carabello, traz o suor das ruas de San Francisco e o balanço do Caribe.
O álbum é uma sucessão de clássicos que definiram o rádio nos anos 70: "Singing Winds, Crying Beasts" é uma introdução atmosférica com piano e percussão metálica que prepara o ouvinte para uma viagem espiritual. "Black Magic Woman / Gypsy Queen", é talvez a transição mais famosa do Rock, onde Carlos Santana pega o Blues de Peter Green (FLEETWOOD MAC) e o funde com o Jazz de Gabor Szabo, criando um hino hipnótico. "Oye Como Va" é uma releitura de Tito Puente que se tornou a assinatura da banda. Aqui, o órgão Hammond de Gregg Rolie brilha tanto quanto a guitarra, provando que o Rock pode (e deve) ser dançante. "Samba Pa Ti", é uma das instrumentais mais bonitas da história. É um estudo sobre sensibilidade, onde a guitarra de Carlos Santana parece traduzir sentimentos que palavras não alcançariam. "Incident at Neshabur" é uma peça de Jazz-Fusion complexa que mostra o alto nível técnico da banda antes de encerrar o disco.
Não se pode falar de "Abraxas" sem mencionar sua capa: a pintura "Annunciation" de Mati Klarwein. A imagem de uma mulher negra nua e um anjo em cima de um tapete voador encapsula perfeitamente o som contido no vinil — psicodélico, multicultural e profundamente sensual.
Em resumo, "Abraxas" marca um momento onde o Rock deixou de ser exclusivamente anglo-saxão para abraçar o mundo. É um álbum fluido, onde o Jazz, a Salsa e o Blues colidem sem costuras. Um disco essencial para qualquer um que queira entender como a guitarra elétrica pode ser usada como uma extensão da voz humana.
Faixas:
| Nº | Título | Duração |
|---|---|---|
| 01. | Singing Winds, Crying Beasts | 04:51 |
| 02. | Black Magic Woman/Gypsy Queen (Peter Green, Gábor Szabó) | 05:19 |
| 03. | Oye Como Va | 04:16 |
| 04. | Incident At Neshabur | 04:56 |
| 05. | Se A Cabo | 02:49 |
| 06. | Mother's Daughter | 04:24 |
| 07. | Samba Pa Ti (José Feliciano, Carlos Santana) | 04:43 |
| 08. | Hope You're Feeling Better | 04:11 |
| 09. | El Nicoya | 01:26 |

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