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quarta-feira, agosto 26

LUCAS BARNERY ● The Wave And The Sea ● 2022

Artista: LUCAS BARNERY
País: Brasil
Gêneros: Symphonic Prog
Álbum: The Wave And The Sea
Ano: 2022
Gravadora: self-released

Músicos:
● Lucas Barnery: violão e guitarra. Teclados e FX na 1a e última faixas.
● Tainã Trocolli: percussão
● Gabriel Pinho: baixo
● Marcus Menezes: piano, teclados em geral e pads

Com:
● Jordi Amorim: saxofone soprano (5)
● Uwe Rohr: teclados (faixa 2).
● Igor Garcia: vocal tenor (2; faz a 'Esperança' nas faixas 3 e 7).
● Karen Silva: vocais (2).
● Raphael Oliveira: vocais de 'Hollow' (7).
● Menahem Hein, Eduardo Rios, Nathália Martins: vocais adicionais (8).
● Ângela Velloso, Karen Silva, Nathália Martins: backing vocals (2, 3, 7).
● Aron Marcus: coro (5).
● Amanda Naricci: vocais de 'Hannah' (8).

O baiano LUCAS BARBOSA DA SILVA NERY, vulgo LUCAS BARNERY, é um desses artistas prontos para grandes conquistas. Pois não são apenas os prêmios conquistados que atestam isso, como ter estado entre os 10 melhores guitarristas da Roadie Crew 2024, e ter sido eleito o melhor guitarrista de metal nacional de 2024 pelo HeavyTalk. Ele também é um ótimo produtor, compositor, e arranjador tanto das partes instrumentais, quanto das seções vocais. LUCAS ainda esbanja humildade ao creditar parte de seu conhecimento a terceiros e amigos. Em 2024 ele teve importante participação no disco metaleiro de estréia do grupo AURO CONTROL.

Abaixo a resenha sobre o único disco que ele lançou.

Começa dando amplo espaço para a guitarra bem gilmouriana, mais teclados etéreos bem richard-wright-ianos. A segunda faixa remete bastante ao início de Shine on you crazy diamond. Mas não demora para se perceber que não é um clone do PINK FLOYD, pois a técnica no violão absorveu outros elementos, enquanto a bateria tem uma pegada mais moderna. Os vocais e coral estão bem orgânicos, e os elementos musicais extras se submetem magnificamente à composição. A união de blues-rock com uma leve psicodelia lembra o PINK FLOYD de meados dos anos 80. Só que, bem perto dessa faixa chegar aos 5min, a guitarra adquire peso, a massa sonora aumenta um pouco, e há umas mudanças bem elaboradas de harmonias. Chegando em alguns momentos a apresentar guitarras mais ácidas e robustas, e parece até mesmo haver duas delas tocando ao mesmo tempo.

Uma percussão interessante, misturando congas com bateria, dialoga muitíssimo bem com o piano, para abrir a próxima faixa. Umas harmonias magníficas juntando teclados, violão, uns vocais macabros, vão sendo costurados nesses momentos iniciais. Aos 2min vocais mais "ensolarados" e grandiosos trazem um clima mais otimista, e embora não haja uma construção mais refinada das camadas, a música funciona bem. E pouco depois dos 4min um solo inspirado de guitarra, que não deixa de dar brecha para os outros instrumentos e uma breve participação do coral. Mais para os instantes finais são inseridos uns elementos sinfônicos, diversificando sutilmente, com eficácia, os arranjos. O final fica um pouquinho repetitivo.

A 4a faixa é uma toada meio folk, meio pop, carregada sobretudo pelo violão, com alguns elementos secundários psicodélicos nos teclados. O refrão musical é bom, mas vai sendo repetido, sem nuances, acompanhado de vocais um pouco arrastados, tornando enfadonha aquela boa idéia inicial. Se a(s) melodia(s) fosse(m) mais cativante(s), funcionaria melhor.

O início da próxima música segue uma vibe levemente country, uma versão mais sofisticada desse gênero. Felizmente tem curta duração. Entra noutra composição bem diferente, dramática, lembrando um pouco O Fantasma da Ópera com RAVEL; ele se transmuta bem (pois os arranjos vão mudando com coerência e fluidez) para uma proposta neoprog. Essa proposta ganha umas camadas no decorrer da canção. As alternâncias entre os refrões e interlúdios são bem construídas e maduras. No meio entra um sax inesperado, muito bem articulado e treinado. Em um dado momento perde as camadas que estava ganhando; mas quando as camadas retornam, é de modo fabuloso, tudo encaixa muitíssimo bem.

A 7a faixa é o ápice dessa obra que já conta com vários pontos altos. A atmosfera que a abre é perfeita, os timbres são espetaculares e se mesclam com genialidade à composição. O vocalista está penetrante, inesquecível. A transição para a segunda parte consegue melhorar o que já está fenomenal. Muito robusto e consistente, numa arrasadora e firme seção rítmica cheia de detalhes marcantes. Entra um violão, assumindo a idéia rítmica que estava prevalecendo, e dando um toque espanhol à composição. Não combinou muito, muito não, mas ficou bonito e passional. Outro elemento esplêndido é como alternam entre cadências mais rápidas e menos rápidas com espantosa organicidade. E o coral na última parte da suíte é lindamente memorável.

A próxima música é indiscutivelmente teatral. Empreende diálogos combinados com um pouco de narração. A proposta rítmica é um tanto quanto simplista, lembrando esse aspecto de materiais do rock de arena dos anos 80. De qualquer forma, LUCAS e o restante da equipe fez um bom trabalho, que consegue carregar o ouvinte pelo conceito desenvolvido.

Ns 9a faixa, violão e sintetizador constroem um clima de névoa, levemente místico. A seção rítmica não consegue manter o meu interesse, conforme a música avança. Entretanto, os vocais, com notas longas e boa variação tanto entre o masculino e o feminino, quanto de uso de assovios e diferentes timbres e entonações, garantem uma boa música. Poderia ser mais curta...
Chegou a última faixa. É um exercício que consegue ser meio new age, meio floydiano, meio TANGERINE DREAM. Encerra a obra com suavidade.

Faixas:
01. The Wave (0:46)
02. Deep into the void (8:52)
03. Fate after death (7:14)
04. Birds (4:13)
05. Hi Me (1:07)
06. Hold On (6:31)
07. The Enemy and the Corridor (15:00)
08. Failed System (4:48)
09. The End (7:59)
10. The Sea (7:54)

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