sábado, 7 de fevereiro de 2015

Biglietto Per L'inferno - Live [2005] - Italy / Itália


No início de 2004, foi lançada um box-set com 3 cds da banda Biglietto Per L'inferno. Esse box contém versões remasterizadas em CD dos dois álbuns oficiais, além de um terceiro CD com uma gravação ao vivo, em Lecco, Itália, em 1974.

O mesmo CD ao vivo, contido na caixa, foi publicado separadamente em 2005 com uma capa mini-LP decididamente melhor que a anterior. 

A força de Biglietto per l'Inferno estava em suas performances ao vivo. É uma pena que a única gravação ao vivo da banda carece tanto de qualidade do som. Mesmo a remasterização não poderia melhorar a má qualidade da fonte. O concerto foi realizado e gravado em Lecco (Itália), em 09 de maio de 1974 com meios técnicos pobres e, como você pode ler no folheto, "esta não é uma experiência dedicada à puristas de som, mas uma grande máquina do tempo para todos os que gostam de mergulhar naqueles dias e para todos os que são jovens o suficiente".

No entanto, o desempenho da banda foi excelente (principalmente do vocalista Claudio Canali, um dos melhores do Rock Progressivo Italiano) e todas as faixas foram unidas com novos arranjos como em uma longa suite. A primeira faixa é uma versão inicial de "Il tempo della Semina" (um pouco diferente do que viria a ser lançada no álbum oficial). A seguir estão todas as faixas de seu álbum de estréia homônimo que fluem por mais de 40 minutos cheias de energia e paixão. 

Tracks:
1.Il tempo della Semina (7.16)
2. Ansia (3.46)
3 - 4. Confessione (3.03 + 2.46 = 5.49)
5. Una strana Regina (6.02)
6. Il Nevare (4.28)
7. L'Amico suicida (14.32)
Time: 41:53

Musicians:
- Claudio Canali / vocals, flute, tenor flugelhorn
- Fausto Branchini / bass
- Giuseppe 'Baffo' Banfi / keyboards, Gem organ, mini-moog synthesizer
- Giuseppe 'Pilly' Cossa / keyboards, Hammond organ, piano
- Mauro Gnecchi / drums
- Marco Mainetti / electric guitar, acoustic guitar

Format: flac (tracks + cue) = 256 mb = Mega

Dalton - Riflessioni: idea d'infinito [1973] - Italy / Itália


O grupo italiano DALTON foi formado em 1972 pelo tecladista Temistocle Reduzzi, Aronne Cereda na guitarra, Alex Chiesa na flauta, Rino Limonta no baixo e Walter "Tati" Locatelli na bateria.

Baseado num teclado Hammond fantástico e numa flauta no melhor estilo lan Anderson, o grupo esbanja romantismo, com letras em italiano, bom gosto a toda prova e músicas sensacionais. Pena que não tenha tido qualquer repercussão comercial quando do lançamento original no ano de 1971, ano, aliás, que pode considerado com um dos mais prolíferos da década em se tratando de Rock and Roll

Quanto ao disco, este tem apenas 27 minutos e 50 segundos e é daqueles que deve ser ouvido num só fôlego, sendo composto de apenas seis faixas. A primeira, "Idea D'lnfinito", já denuncia a qualidade da banda, com destaque para a flauta de Alex e também para os teclados. "Stagione Che Muore" também é uma linda canção, com excelente trabalho instrumental, além do lirismo típico das músicas cantadas em italiano. A terceira é a balada romântica "Cara Emily", que simplesmente arrepia da cabeça aos pés, com destaque para a linda letra, vocal sensacional, cravo, piano e o mágico moog. É daquelas músicas italianas românticas que se misturam a coisas mais populares da época e que se fosse gravada por qualquer músico popular do país, certamente seria um sucesso. 

O lado B começa totalmente radical, com "Riflessioni", ótimo som instrumental. Na sequência, a calma "Un Bambino, Un Uomo, Un Vecchio" e fechando o álbum com chave de ouro temos "Dimensione Lavoro", outra ótima peça com destaque novamente para os tecladista e guitarrista que nos remete ao craque do instrumento Martin Barre. O disco, bem curto, termina e traz a sensação de que poderia ter sido mais extenso. 

Após o lançamento de um single em 1974, "La donna e il bambino", a banda teve uma mudança de formação com Reduzzi e o flautista Alex Chiesa saindo e sendo substituídos pelo tecladista Giancarlo Brambilla e o cantor Massimo Moretti, mas o segundo álbum "Argitari" (um título formado com as iniciais dos nomes dos músicos) de 1975, é considerado por muitos a um nível inferior ao seu debut e é construído principalmente na guitarra acústica. 

O  vinil hoje é uma raridade praticamente impossível de se encontrar. A italiana Vynil Magic lançou uma edição digital no início dos anos 1990 e esta ainda pode ser encontrada. Esta reedição em vinil laranja e com capa dupla, fazendo a cabeça dos colecionadores de Prog Rock, principalmente para quem curte teclados e flautas. 



Tracks:
1. Idea D'Infinito (4:49)
2. Stagione Che Muore (4:20)
3. Cara Emily (4:55)
4. Riflessioni (3:50)
5. Un Bambino, Un Uomo, Un Vecchio (3:35)
6. Dimensione Lavoro (6:42)

Time: 28:11

Musicians:
- Temistocle Reduzzi / piano, organ,mellotron, moog, synth and vocals
- Aronne Cereda / acoustic and electric guitars, vocals
- Rino Lamonta / bass guitar and vocals
- Walter "Tati" Locatelli / drums and vocals
- Alex Chiesa / flute and vocals

Format: flac (tracks + cue) = 193 mb = Mega

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Tantra - Mistérios e Maravilhas [1977] - Portugal


Manuel Cardoso, Armando Gama, Américo Luís e Tozé Almeida adeptos da filosofia espiritual de Paramahansa Yogananda e da música progressiva do YES e GENESIS  fundaram o TANTRA em 1976. O grupo destacava-se logo não só pelo investimento feito nos seus instrumentos e PA como revelava também uma certa ambição em competir com o melhor que se fazia lá fora quer a nível de encenação de espetáculos, quer ao nível dos próprios arranjos (complexos) que o gênero exige.

Em novembro de 1977, lançam, pelo selo Valentim de Camargo/EMI, ”Mistérios e Maravilhas” o melhor álbum de Rock português pré – Punk/New Wave. Desde logo a destacar a capa do disco, a indiciar uma quebra com o tom da época, parecendo mais uma imagem de Roger Dean (autor do visual dos YES). 

“Mistérios e Maravilhas” foi lançado num momento em que o Rock Progressivo estava em decadência, como já fora citado. Mas surpreendeu pelo seu sucesso. Sucesso este que pode ser creditado ao próprio estágio em que o Rock se encontrava em Portugal. Antes da Revolução de Abril de 1974 (Mais conhecida como “Revolução dos Cravos”), o Rock em Portugal, com poucas exceções, era baseado nos covers de bandas estrangeiras, como Beatles e Beach Boys, com apresentações em clubes ou pequenos teatros. De acordo com Aristides Duarte, em seu livro “Memórias do Rock Português”, o regime salazarista apenas tolerava o Rock, mas que dava o ar da graça através da sua censura, como foi no caso do álbum de estréia do QUARTETO 1111 e nas permissões para a apresentação de grupos estrangeiros. Ainda segundo Duarte, muitos grupos eram desfeitos por causa da guerra colonial e, mais tarde, por causa do engajamento na luta pelo fim do salazarismo. Somente após 1975 que começa a existir um Rock, de fato, português. E o Progressivo em Portugal, curiosamente, teve como um dos seus impulsos as apresentações do GENESIS em terras portuguesas, no ano de 1975. Também teve início ao surgimento de várias bandas que seguiam essa vertente. E uma delas foi o TANTRA, que surgiu em 1976 com o lançamento do compacto “Alquimia da Luz/Novos Tempos”. Quando do lançamento de “Mistérios e Maravilhas”, a formação do Tantra era Américo Luís (Guitarra e baixo), Manuel Cardoso (Frodo e guitarra), Armanda Gama (Órgão, teclados e sintetizadores) e Tozé Almeida (Bateria). Pelo fato de o som do Rock Progressivo ser uma novidade em Portugal, o disco (bem como todo o gênero em si) teve uma boa receptividade no momento em que foi lançado, contrastando com o momento em que o Prog Rock passava em nível mundial. 

O álbum contém fortes influências de bandas como GENESIS, YES e PINK FLOYD. É quase todo instrumental, somente duas faixas possuem letras: “À beira do fim” e “Partir Sempre”, coincidentemente a primeira e a última faixa, respectivamente. Mas nem por isso, deixa de ser um excelente álbum, apesar de todo o clichê que um álbum de Rock Progressivo pode ter: faixas longas, com belas harmonias instrumentais e (embora poucas) vocais, farto uso de sintetizadores, etc. Todas as seis faixas são excelentes, tendo destaque para as faixas “Á Beira do Fim” que com os seus teclados siderais, dá ao grupo uma aura espiritual, com a voz de Manuel Cardoso (também conhecido nos espetáculos ao vivo como “Frodo”) a dar o mote para um arranque jazzístico-picadélico até aos confins do universo. “À Beira do Fim…por mundos imaginados…”. O instrumental “As Aventuras de Um Dragão Num Aquário” com a viola de Cardoso a dar um toque Folk britânico pastoral, na melhor tradição de um Steve Howe ou Greg LakeOs “Tours de Force” vêm sob as formas do tema – título,  com uma empolgante linha de sintetizador, e a “Máquina da Felicidade”. Temas longos e estruturas melódicas complexas, com solos rasgados de teclados e guitarra e uma percussão com dinâmica multi-rítmica. Ao vivo o grupo estaria mais desinibido, livres das pressões temporais de um disco de vinil, esticando estes temas até quase ao infinito.

Manuel Cardoso, entrega no final do disco o comando criativo a Armando Gama e a sua “Syntorquestra”, ou seja uma parafernália de teclados moog e sintetizadores com evidência nos temas “Variações sobre uma Galáxia” e “Partir Sempre”. Este último, sem dúvida o tema mais melódico do álbum, com possibilidades mais comerciais, graças á voz “festivaleira” de Gama.

O álbum ganhou reconhecimento em todo o país e, posteriormente, em nível mundial, diga-se de passagem, sendo considerado um dos cem maiores da música portuguesa. O TANTRA viria a lançar mais dois discos (“Holocausto”, de 1978 e “Humanoid Flesh”, de 1981) até encerrar atividades em 1981. Mas o grupo foi reformado em 2003, tendo Manuel Cardoso como único membro original ainda remanescente na banda. 

Este álbum, sem dúvida, mostra que Portugal tinha (e ainda tem) um Rock de primeira linha e que o país não vive só de fado e do conhecido “vira-vira”.



Tracks:
1. A Beira Do Fim (11:01)
2. Aventuras De Um Dragao Num Aquario (2:09)
3. Misterios E Maravilhas (6:19)
4. Maquina Da Felicidade (13:39)
5. Variacoes Sobre Uma Galaxia (1:24)
6. Partir Sempre (9:29)
Time: 54:01

Musicians:
- Armando Gama / keyboards
- Americo Luis / bass
- Manuel Cardoso / guitar
- To Ze Almeida / drums

Format: flac (tracks + cue) = 354 mb = Yandex

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Alphataurus - Alphataurus [1973] - Italy / Itália


Eis aqui um dos mais incríveis tesouros entre muitos lançado na Itália durante os anos setenta. O Alphataurus foi uma banda muito talentosa (e obscura), composto de cinco elementos nos quais destaca-se a figura principal de Pietro Pellegrini no piano, órgão, moog, vibrafone e espineta. A musicalidade está nos picos mais altos, muito cativante e convincente. Ele combina arranjos variados, desde os mais difíceis para outros mais sinfônicos. A singularidade da banda é demonstrada também pela obra de arte maravilhosa e original da capa na qual uma pomba com pouco está jogando bombas sobre um mundo fantástico. Talvez um planeta extraterrestre ...  A remasterização contém uma grande preto e branca dos cinco membros da banda que parecem observar com curiosidade para o que está acontecendo com esse mundo paralelo. "Não confie em pessoas que pregam a paz se eles costumam justificar a violência que cometem. Eu sei o que eu quero dizer".

A faixa de abertura "Peccato D'Orgoglio" é um notável peça de 12,25 minutos de duração. A introdução mais "dark", uma espécie de presságio ou profecia sobre o que vai acontecer! Uma menção especial tem que ir para os vocais de Michele Bavaro. Ele parece ter ouvido o álbum "Palepoli", de outra banda memorável: OSANNA. Há um grande papel para as guitarras elétricas. Teclados, apesar de ter importância proeminente como sempre acontece no cenário Prog italiano, não são tão "ditatoriais" como eles costumam fazer.

Essas peculiaridades são evidentes na segunda faixa "Dopo L'Uragano" (Após o furacão). Outro opus convincente numa veia triste e "dark" que parece ser a marca registrada no lançamento do primeiro disco da banda.

"Croma" é, sem dúvida, a obra mais original e Prog no álbum. Muitas mudanças de "humor" e uptempos, teclados fortes e poderosos. É interessante que a banda, no encarte, declarou: " As gravações do álbum foram feitas apenas com os instrumentos de membros da banda e não foi usada orquestra para nenhuma das cinco faixas".

"La Mente Vola" (vôo da mente) é uma outra longa peça que chama muito a atenção e parece registrada em anos mais recentes. Basta prestar atenção para a seção ritmica e a estrutura da canção. Um arranjo muito moderno e bem executado. É mais íntima e mais doce do que as três anteriores. Os vocais são maravilhosos e poéticos, a respeito do homem que entende a importância de orar a Deus: "... acima lá há alguém ..."! Carisma impressionante e belo trabalho no vibrafone fornecida por Pellegrini!!!

"Ombra Muta" (Sombra muda) Possui uma estrutura fina e melódica com alguns flashs de algo mais agressivo e guitarra elétrica cativante e ótimos teclados !! Com o temperamento "dark" e sombrio habitual.

"Alphataurus" sem dúvida é uma verdadeira obra prima italiana, e é recomendado a todos que apreciam um disco forte e com uma identidade bem particular recheados de ótimos momentos do Rock Progressivo clássico.




Tracks:
1. Le chamadere(Peccato d´orgoglio) (12:18) 
2. Dopo L´uragano (4:48) 
3. Croma (3:14) 
4. La mente vola (9:21) 
5. Ombra Muta (9:48)
Total Time: 39:29

Musicians:
- Michele Bavaro / vocals 
- Alfonso Olive / bass 
- Pietro Pellegrini / keyboards 
- Giorgio Santanderea / drums 
- Guido Wasserman / guitar

Release / Label: Belle Antique ‎– Belle 101744 Year: 2010
Format: flac (image + cue) = 257 mb = Torrent


Relase / Label: Vinyl Magic ‎– VM 051 / Year: 1995
Format: ape (cue + log) = 234 mb = Depositfiles (part 1) / Depositfiles (part 2) / pass = progsounds

BIOGRAPHY + DISCOGRAPHY

Finch - Beyond Expression [1976] - Netherlands / Holanda


"Beyond the Expression" é o segundo trabalho do grupo holandês Finch. Possui três faixas longas onde a banda retorna a demonstrar todo seu potencial técnico.  Pouco mais de 43 minutos muito bem aproveitados em razão de sua competência criativa e natureza experimental, mesclando o progressivo e ritmos de Jazz numa Fusion muito bem temperada. A textura de suas obras caracteriza-se pela fluidez através de melódicas introduções, contrapontos cadenciados aos acordes de guitarra e teclados que gradativamente evoluem à passagens dinâmicas variadas ora riffs ao melhor estilo do Rock clássico ou diálogos de teclados ajustados nos solos de puro virtuosismo de Joop, para então retomar interlúdios singelos de belas melodias, como num processo de exercícios vigorosos, acontecem para recuperar o folego. Os solos se alternam com a mesma categoria, Determeijer é um mago dos teclados. Então democraticamente, ambos exibem-se a seu tempo, enriquecendo os temas com muita propriedade. Harmônico ao longo das interpretações destas belas composições de Joop, este processo de ritmos intensos combinados a lindas melodias, proporciona uma atmosfera bem balanceada que sempre funciona.

O disco começa com "A Passion Condensed" que tem o sintetizador inicial um pouco áspero, embora a guitarra é satisfatória e a seção rítmica está em overdrive para grande parte da peça. O lado mais suave do FINCH surge ao meio, talvez para oferecer ao ouvinte uma trégua do rápido Jazz-Rock que preencheu os primeiros oito minutos. O trabalho de guitarra mordaz está muito forte, voando como um beija-flor na parte superior com uma progressão de acordes idêntica a "Breathe", de PINK FLOYD.

"Scars on the Ego" A segundo e mais curta peça oferece ao tecladista uma oportunidade de brilhar através de várias texturas sonoras, e, felizmente, o guitarrista mostra suas capacidades mais plácidas. Embora o solo de guitarra elétrica ainda está cheio de atividade, que serve bem como uma redução gradual.

"Beyond the Bizarre" gentil e melódica, talvez a mais sólido das três composições, porque mesmo quando se torna mais pesada, não é perfurada com guitarras de "fogo rápido". Na verdade, o protagonista infunde a peça com curvas adequadas e frases que acentuam as mudanças rítmicas. A presença dos teclados são uma reminiscência de "Cinema Show" do GENESIS.

O grupo deve ter em seu conterrâneo Jan Akkerman, um ídolo e um exemplo para ser seguido, é possível também associar sua estética melódica ás obras do Camel, tudo muito salutar e bastante agradável de se ouvir. Finch, ao longo desse álbum, deixa patente um profundo conhecimento e pleno domínio de diversas técnicas. Pode trazer seu trabalho à semelhança de grandes ícones do gênero, entretanto exibem personalidade e consistência suficientes à sua própria identidade como referência de qualidade, sobretudo a nobre arte da qual são ilustres  representantes, pérolas do universo extremamente laboral e criativo do rock progressivo. Boa audição!


Tracks:
1. A Passion Condensed (20:05)
2. Scars On The Ego (8:51)
3. Beyond The Bizarre (14:24)
Time: 43:20

Musicians:
- Cleem Determeijer / keyboards
- Beer Klaasse / drums
- Joop Van Nimwegen / guitars
- Peter Vink / bass

Format: mp3 (320 kbps) = 101 mb = Yandex

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