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domingo, abril 26

SEZIONI FRENANTE ● Nuove Dimensioni ● 2019

Artista: SEZIONI FRENANTE
País: Itália
Gênero: Symphonic Prog
Álbum: Nuove Dimensioni
Ano: 2019
Lançamento: 24 de maio
Gravadora: Ma.Ra.Cash Records
Duração: 50:19

Músicos:
● Alessandro Casagrande / bateria, percussão
● Mirco De Marchi / piano, hammond, mellotron, moog, sintetizador
● Sandro Bellemo / baixo
● Antonio Zullo / guitarras
● Luciano Degli Alimari / vocais

Com:
● Deborah Barbiero / backing vocals (faixas 2,6, 7 e 8)
● Mauro Martello / flauta (3,4,8)
● Francesca Rismondo / violoncelo (4,8)
A banda foi formada em 1974, na região de Campalto, que fica dentro de Veneza. Apesar de ter abrido shows para diversos medalhões de seu país, encerrou atividades em 1978, sem ter gravado nada. Em 2006, três dos membros originais se juntaram a alguns outros músicos, e com parte das composições da época em que estiveram ativos nos anos 70, gravaram um EP em 2011. Depois disso, seguiram-se 3 discos de estúdio.
A 1a faixa começa ambiente, lembrando um pouco do Klaus Schulze. A composição vai sem pressa, construindo com maturidade e serenidade as camadas, primeiro somente nos sintetizadores e baixo. A guitarra e violão entram límpidos, abrindo os compassos rítmicos. As harmonias começam a ganhar um pouco de complexidade. O baixo continua maravilhoso. Crescendo assim, a música chega em uns ataques mais robustos e firmes tanto da bateria quanto dos sintetizadores. E assim, acrescentando refrões fantásticos e velocidade (nunca em excesso), muito bem costurados entre si, fazem jus à fama italiana de conseguirem entregar melodias marcantes tanto nas cordas quanto nas teclas. Majestoso!!
Na faixa seguinte, a introdução é mística, nos teclados e baixo. Os vocais são soturnos, em italiano, com um compasso tranquilo e genial; Entra um coral sombrio. A guitarra vai demarcando partes dos compassos. Sininhos sinistros, e algo parecido com um cravo, vão se entrelaçando. A música se transfigura um pouco, acrescentando rock ao erudito sombrio que estava sendo executado. A seção rítmica agora é mediana, e eles repetem algumas idéias que não são assim tão boas. Entretanto, a música volta a ganhar um certo gás, quando vai para seu último terço, onde há mais uma mudança nos compassos. Uma qualidade positiva dessa música é que usam muito bem os timbres e arranjos para manter a coesão da composição.
O início mais consistente da 3a faixa, tanto na guitarra quanto flauta e bateria, tem uma pegada roqueira, mas sem deixar de lado a melodia, seja ela firme ou leve. Há um alto grau de espontaneidade nas execuções, aqui, ou seja, percebe-se que os membros estão curtindo tocar essa faixa. Seu encerramento é suave, sem conexão com o restante tocado anteriormente.
Um lindíssimo violão e flauta, introspectivos, abrem para o caudaloso e respeitoso baixo. O timbre grave do vocalista faz um bom contraponto ao instrumental. Dessa vez, contudo, ele não conseguiu enriquecer muito as harmonias vocais. Sobrevém um interlúdio abundante de compassos e timbres, para chegar num trecho cujo crescendo desemboca num progressivo sinfônico pungente, onde felizmente o vocalista aumenta o nível, em força e inventividade. Pena que não dura muito, e volta para a proposta anterior, que é um pouco pobre. Até dão uma mudada nos arranjos, mas não é suficiente para manter o alto nível que havia começado a ser desenhado. Essa seção diminui, parecendo que a faixa estava em sua finalização. Ao invés disso passa para outra seção, mais marcante, pois a harmonia baixo/bateria dá bastante certo. E a guitarra encontra seu espaço com ótima clareza e perspicácia. Aí passa para um solo de sintetizador que cumpre bem seu papel. As notas da guitarra conseguem ir se tornando um pouco mais penetrantes.
O aspecto mais característico desse grupo é mesmo sua veia roqueira. Apesar de não ser muito a minha praia, tenho de reconhecer que desenvolvem essa vertente muito bem na 5a faixa, aliando pegada com melodia. Mais uma vez, estão entregando uma seção rítmica firme, quase chegando a um alto nível. O vocalista dessa vez não consegue se achar muito bem, enquanto o baixista consegue mais uma vez se destacar. Eles até se esforçam, e apresentam uma boa variedade de harmonias, mantendo a coesão através dos arranjos. Mas faltam refrões impactantes. De qualquer modo, tem por outro lado um ponto positivo, que é o bom humor das propostas instrumentais.
Na música seguinte, na vertente pop-rock, há um bom swing em andamento, e algumas harmonias são bem feitas. Porém, há uma certa pobreza tanto na economia das notas, quanto nos arranjos. Ou seja, ficam indecisos entre o radiofônico e propostas mais sofisticadas, acabou não saindo nem uma coisa, nem outra.
Que violão maravilhoso abre a penúltima faixa. Um coral inspirado, com esse baixo praticamente impecável, e um sintetizador que, apesar de não ter achado o melhor timbre, entrega uma bela melodia. É quando fica apenas no sintetizador que os timbres desse instrumento melhoram, bastante. Lindo e envolvente, além de estarem sendo muito bem sublinhados pelo baixo. O vocalista encontra um timbre mais de acordo com a atmosfera agora presente. A música vai crescendo, mas apenas um pouco e o suficiente, para chegar na textura ideal, onde tanto o vocalista quanto os sintetizadores e bateria, se complementam fabulosamente. Pois bem, me parece que a vocação desses caras é mesmo o progressivo sinfônico, pois é quando apresentam os resultados mais incríveis. Na metade da música a seção rítmica carece de um compasso mais aceitável, e isso compromete todo o restante, já que o baterista insiste nesse lance meio grotesco. Isso dura quase 2min, quando venturosamente partem para algumas mudanças, incluindo a seção rítmica. Embora não consigam retomar o prévio brilhantismo da primeira metade dessa faixa, o solo de guitarra está muito maduro, e escolhe bons refrões, que vão ficando melhores conforme se aproximam do finale.
Encerram o disco com suavidade. Lembrando os bons tempos das melodias italianas setentistas, com aquele sabor mediterrâneo delicioso. Acompanhado de um doce violoncelo. O vocalista tem um bom desempenho, está perto de ficar à altura do restante da galera.

Faixas:
01. Kosmos (6:18)
02. L'era di Planck (6:33)
03. Fuso delle Necessita' (3:20)
04. Principe del Vuoto (7:53)
05. Orizzonte Degli Eventi (6:19)
06. Venere (5:56)
07. E' Nata una Stella (Giostra a Catena) (10:06)
08. Nomadi Velieri (3:54)


Discografia:
2014 ● Metafora Di Un Viaggio
2019 ● Nuove Dimensioni
2022 ● Mauro Martello - Sezione Frenante: Prigioniero di Visioni

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