País: Alemanha
Gêneros: Heavy Prog, Jazz-Rock
Álbum: Nature
Ano: 1971
Lançamento: Agosto
Gravadora: Soma Records
Duração: 43:46
Músicos:
● Hendrik Schaper: órgão, clavinet, piano, piano elétrico Cembalet e vocais
● Jürgen Jaehner: guitarras elétrica e acústica
● Rolf Rettberg: baixo
● Joachim Luhrmann: bateria
Gravado ao vivo numa fazenda convertida em estúdio rudimentar, com um gravador de duas faixas e sete microfones estrategicamente posicionados, "Nature" é um documento extraordinário de liberdade criativa — uma obra que recusou rótulos quando nasceu e que ainda hoje desafia qualquer tentativa de enquadrá-la.
A banda TETRAGON surgiu das cinzas do trio TRIKOLON, de Osnabrück, no norte da Alemanha. Após a saída do baterista Ralph Schmieding, os amigos de escola Hendrik Schaper (órgão, trompete e teclados) e Rolf Rettberg (baixo) recrutaram o guitarrista Jürgen Jaehner e o baterista Joachim Luhrmann, optando por um nome novo em lugar de carregar o antigo. O contexto era 1971: o Krautrock fervilhava com CAN e AMON DüüL II, mas a TETRAGON mirava outra vizinhança — o Jazz-Rock de Miles Davis, o órgão hammond de Brian Auger, as texturas clássicas dos ingleses do THE NICE e do EGG. O resultado foi um único álbum lançado pelo selo Kuckuck, com inspiração ecológica declarada no título, antes de a banda se dissolver no ano seguinte.
Em sua maior parte, "Nature" é um álbum instrumental: um caldeirão onde a fuga barroca de Bach, o Jazz-Fusion elétrico à Miles Davis e o Rock Progressivo de cunho britânico se fundem com naturalidade surpreendente para uma gravação de fazenda. O órgão Hammond de Schaper domina a cena com timbre quente e denso, enquanto a guitarra de Jaehner alterna entre solos planantes e ataques wah-wah de groove pesado. A seção rítmica ancora as longas improvisações sem jamais engessá-las — há uma conversa constante entre os quatro músicos, cada um reivindicando espaço sem perder de vista o todo. A produção crua, longe de ser um defeito, confere à gravação uma imediatez quase documental: o ouvinte sente que está na fazenda, com o som vazando pelas ripas de madeira.
A faixa de abertura, "Fugue", com seus quase dezesseis minutos, é o coração do disco: a banda pega a fuga barroca de Bach e a desfigura — com reverência, mas sem medo — em direção ao Jazz-Rock, o órgão assumindo o papel que o cravo teria no original enquanto a guitarra improvisa nas margens da harmonia contrapuntística. É ao mesmo tempo homenagem e subversão. "A Short Story", adaptação de Leonard Bernstein, percorre variações de humor e andamento com a confiança de músicos que vivem dentro da improvisação, acumulando tensão e alívio num arco de mais de treze minutos. Já "Irgendwas" ("algo assim", em alemão livre) é o momento mais raw do álbum — órgão e guitarra em diálogo rítmico pesado, com um groove que lembra COLOSSEUM encontrando Brian Auger. A faixa-título fecha o disco com a única aparição vocal de Schaper, conferindo ao trabalho quase instrumental uma despedida inesperadamente lírica.
O que torna "Nature" um álbum singular dentro da cena musical alemã é justamente sua recusa às soluções mais óbvias do movimento Krautrock e derivados. Enquanto os contemporâneos alemães apostavam no repetitivo motorik ou na eletrônica experimental, a TETRAGON olhava para leste — para Canterbury, para o Jazz britânico, para a tradição clássica europeia. Há mais de SOFT MACHINE, COLOSSEUM e COLLEGIUM MUSICUM neste disco do que de NEU! ou KRAFTWERK. O álbum sofre, é verdade, de uma certa ausência de edição: as jam sessions às vezes chegam à deriva antes de encontrar seu destino. Mas essa imprevisibilidade é também sua maior virtude — ouvir "Nature" é acompanhar quatro jovens descobrindo, em tempo real, o que são capazes de fazer juntos.
Dissolvida logo após o lançamento, a TETRAGON passou décadas como curiosidade de colecionadores — a prensagem original em vinil tornou-se objeto raro de culto. Relançamentos sucessivos ao longo dos anos 2000 e 2010 ampliaram seu público, e em 2009 o selo Garden of Delights lançou Stretch, o segundo álbum gravado em 1971 mas jamais publicado na época, confirmando que o talento da banda não era fluke. Nature ocupa hoje um lugar seguro no panteão do prog germânico — não pelo volume da produção, mas pela qualidade singular de uma única janela aberta para o que poderia ter sido uma carreira extraordinária.
| Fontes pesquisadas |
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| Faixas |
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| Nº | Título | Duração |
|---|---|---|
| 01 | Fugue (J. S. Bach) | 15:59 |
| 02 | Jokus | 00:18 |
| 03 | Irgendwas | 06:00 |
| 04 | A short story (L. Bernstein) | 13:38 |
| 05 | Nature | 07:43 |
| Faixa Bônus: | ||
| 06 | Doors in between (ao vivo, 1972) | 14:16 |
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