País: Reino Unido
Gêneros: Heavy Prog, Hard Rock
Álbum: Den of Iniquity
Ano: 1971
Lançamento: Setembro
Gravadora: Parlophone
Duração: 40:46
Músicos:
● Norman Haines: órgão, piano e voz
● Neil Clarke: guitarra
● Andy Hughes: baixo e violão
● Jimmy Skidmore: bateria
Norman Haines foi uma figura central e muitas vezes esquecida na história do Rock britânico, atuando como um elo fundamental na transição da era Psicodélica dos anos 60 para as sonoridades sombrias do Heavy Metal e Rock Progressivo dos anos 1970.
A carreira de Haines ganhou destaque na cena musical de Birmingham com a banda LOCOMOTIVE (originalmente chamada KANSAS CITY SEVEN), gerenciada pelo empresário Jim Simpson. A banda alcançou sucesso nas paradas do Reino Unido em 1968 com a faixa de Ska "Rudi's in Love", escrita por Haines. No entanto, enquanto o público via a banda como um grupo focado no Ska e na Soul Music, Haines os direcionava para um som mais pesado, Progressivo e sombrio, fortemente focado no uso do órgão Hammond, o que culminou no álbum "We Are Everything You See" , lançado em 1970 e na sinistra faixa "Mr. Armageddon". As fricções internas causadas por essa mudança de direção levaram Haines a deixar o grupo ainda em 1969.
Um dos aspectos mais fascinantes da carreira de Haines é a sua proximidade com a criação do BLACK SABBATH. Jim Simpson, que gerenciava o LOCOMOTIVE, também era o empresário do EARTH, a banda pré-BLACK SABBATH formada por Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward. Simpson tentou usar o talento comprovado de Haines como compositor para ajudar o EARTH a conseguir um contrato com uma gravadora.
Como resultado, as primeiras gravações de estúdio da história do BLACK SABBATH (ainda sob o nome EARTH) incluíram músicas escritas por Norman Haines, notavelmente "The Rebel" e "When I Came Down". Haines chegou a tocar piano no estúdio com a banda na gravação de "The Rebel", em uma sessão que ocorreu apenas um dia antes do grupo abandonar o nome EARTH para abraçar definitivamente a alcunha de BLACK SABBATH. Haines foi até mesmo convidado a se juntar aos quatro membros como músico fixo, mas a união não seguiu adiante (fontes divergem se ele recusou a oferta por desilusão com a indústria ou se foi empurrado para escanteio pela nova equipe de empresários do SABBATH), e ele seguiu seu próprio caminho.
Após deixar a órbita do SABBATH, Haines formou uma nova banda com som calcado em guitarras pesadas e teclados. Inicialmente o grupo foi batizado de "Sacrifice", recrutando o virtuoso guitarrista Neil Clarke, o baixista/vocalista Andy Hughes e o baterista Jimmy Skidmore. Eles assinaram com o selo Parlophone, que de forma unilateral (e contra a vontade do grupo), os renomeou para THE NORMAN HANES BAND, chegando ao amadorismo de escrever o sobrenome de Haines incorretamente como "Haynes" no compacto de estreia.
Na primavera de 1971, a banda gravou o álbum "Den of Iniquity" no prestigiado Abbey Road Studios. O disco é hoje considerado uma verdadeira obra-prima "Proto-Progressiva", combinando Hard Rock incisivo, improvisações de Jazz e Blues, e influências do Folk Rock. A estrutura do álbum evidenciava essa versatilidade. O Lado A era focado em Hard Rock direto e com fortes vocais. Incluía a pesada faixa-título "Den of Iniquity", uma versão de "Mr. Armageddon" reformulada com solos ferozes de guitarra com pedal wah-wah, a gravação definitiva de sua autoria para "When I Come Down", e o contraste pacífico da balada Folk acústica "Bourgeois". O Lado B consistia em apenas duas faixas extensas para vitrine instrumental: a improvisação épica de 13 minutos "Rabbits" e a melancólica peça de 8 minutos liderada por piano elétrico e órgão, "Life Is So Unkind".
Apesar do apelo e do brilhantismo musical, o álbum foi um fracasso comercial absoluto, em grande parte provocado pela capa polêmica. A gravadora usou uma ilustração grotesca de 1923 chamada "Gesellschaftsspiel" (Jogo de Salão), do cartunista alemão Heinrich Kley, retratando uma criatura gigantesca parindo humanos em miniatura, que eram então arremessados pelo ar por outro monstro. Considerada muito sinistra para a época, a capa fez com que a maioria dos lojistas do Reino Unido simplesmente boicotasse o álbum, recusando-se a colocá-lo nas prateleiras.
Agravando o boicote, a gravadora cometeu bizarros erros de marketing, chegando a lançar o single "Finding My Way Home" creditado a uma banda inexistente chamada "Avalanche", o que estilhaçou completamente o reconhecimento do público. Altamente endividado com os custos de gravação e desiludido com o show business, Haines teve de fazer turnês tocando seus velhos sucessos de ska apenas para pagar credores, acabando por abandonar de vez a indústria fonográfica em 1972 e indo trabalhar com construção civil e telefonia.
Hoje, a genialidade de Norman Haines foi resgatada e ele é reverenciado por conhecedores do gênero. Por conta da sua extrema raridade — causada pelo boicote das lojas —, as prensagens originais em vinil de "Den of Iniquity" foram alçadas ao status de "Santo Graal" entre colecionadores de Heavy Prog, frequentemente sendo negociadas por valores que vão de 700 a mais de 1000 dólares. A obra de Haines perdura como um documento essencial da música pesada underground britânica, solidificando sua visão artística sem concessões.
| Fontes pesquisadas |
|---|
|
| Faixas |
|---|
| Nº | Título | Duração |
|---|---|---|
| 01 | Den Of Iniquity | 04:34 |
| 02 | Finding My Way Home | 03:25 |
| 03 | Everything You See (Mr. Armageddon) | 04:37 |
| 04 | When I Came Down | 03:58 |
| 05 | Bourgeois | 03:01 |
| 06 | Rabbits | 13:05 |
| 07 | Life Is So Unkind | 08:06 |
.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente e Participe