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sexta-feira, março 20

SLOCHE ● Stadaconé ● 1976

Artista: SLOCHE 
País: Canadá
Gênero: Canterbury
Álbum: Stadaconé
Ano: 1976
Lançamento: setembro
Gravadora: RCA Victor
Duração: 41:10

Músicos:
● Caroll Bérard / violão, guitarra, percussão, talkbox
● Réjean Yacola / grand piano, Fender Rhodes, Wurlitzer, clavinete, Minimoog
● Martin Murray / Hammond B3, Minimoog, Solina, saxofone soprano, vocais, coro (1) e tamborim
● Gilles Ouellet / celesta, percussão, vocais e coro (1)
● Pierre Hébert / baixo
● André Roberge / bateria, percussão, timbales, tam-tam e coro (1)

Com:
● Rénald Des Rocs / coro (1)
A banda foi formada em 1971, segundo o site Rateyourmusic. Alguns dos músicos não estiveram em banda(s) anterior(es), alguns participaram do grupo W.D. FISCHER, que antes era nomeado de SOUTH GATE 24. Que por sua vez havia sido criado em 1966. Vários músicos passaram pelo SLOCHE em seus primeiros anos de existência. Entretanto, durante o período de lançamento de seus discos, o conjunto manteve uma formação consideravelmente sólida. Pois houve poucas mudanças entre os dois discos. No caso, a troca do baterista, e a inclusão de mais um membro, Gilles Ouellet. De todos os músicos presentes nesse lançamento, o que posteriormente conseguiu se manter mais relevante foi Yacola, em outros grupos. De certa forma, coerente com o fato dele ter se formado no Conservatório de Música de Quebec. Aparentemente, nada a ver com progressivo. O próprio Yacola, mais recentemente, foi um dos dois responsáveis pelas versões remasterizadas dessa obra. Como a que foi lançada pelo selo ProgQuebec. Atenção ao interessado em comprá-lo, que uma das edições foi lançada em mini-vinil pela Tachika Records; mas esse selo não é japonês, e sim estadunidense querendo se passar por japonês. O baixista também participou de alguns releases no decorrer dos anos 80, e alguns dos outros membros fizeram uma pequena participação numa sessão de estúdio aqui e outra ali. Nada relacionado ao prog rock.
A primeira faixa traz uma pegada jazz-rock gentil que lembra um CARAVAN um pouco mais inventivo. Após a abertura vem uma pegada um pouco mais funk, com mais algumas camadas, e onde o guitarrista apresenta várias idéias interessantes. A música ainda nem completou o 3o minuto, e já apresentou uma grande variedade de eventos, e muito bem conectadas entre si. As viradas das harmonias, e até alguns dos timbres, lembram bastante o HATFIELD AND THE NORTH. Há um duelo muito gostoso entre os tecladistas, e tanto o baterista quanto o baixista apoiam muitíssimo bem essa pegada. Pouco depois da metade fazem um longo interlúdio antes de uma seção menos acelerada, e mais climática/psicodélica. Até chegar no coro, que é praticamente a abertura para a melhor parte da música, pois é quando entregam os fraseados mais marcantes. O disco é dedicado a um dos fundadores da banda, Pierre Bouchard, que foi um dos co-compositores dessa música.
Os tecladistas criaram, com timbres sublimes, um magnífico fraseado no início da próxima faixa! Sem pressa, e com muita sabedoria, pouco depois acrescentam uma camada. Aí a temperatura começa a esquentar, inicialmente de leve, com um looping nos pratos e sintetizadores, genialmente contornados pelo baixo. Espectáculo! Eles vão desenvolvendo e explorando possibilidades em cima de algumas idéias swingadas. Vem, brevemente, alguns vocais, para depois ocorrer uma passagem com destaque para o sax. Exuberante. O sax volta, os teclados estão furiosos, tá tudo encaixando perfeitamente. O final é que é meio estranho, me passando a impressão de que foi uma composição inconclusa.
Tons mais graves, memoráveis e criativos, abrem a 3a faixa. Mais uma composição onde os sintetizadores assumem as linhas mais importantes da música, e mais uma vez muito bem delineados pela bateria e baixo. Os compassos são frequentemente intrincados e inesperados, e o que é excepcional é que isso não torna as composições caóticas nem confusas; há uma fluidez quase constante e envolvente. Ademais, em alguns momentos, como por exemplo no último terço dessa música, que eles desaceleram em notas e camadas, semelhante a momentos low-profile do SOFT MACHINE, e dando espaço ao ouvinte para conseguir acompanhar as partes mais ricas.
É com uma guitarra funkeada e cativante que abrem a próxima faixa. De repente entra um estupendo sintetizador, trazendo uma atmosfera vibrante, enquanto a guitarra sola. A harmonia e arranjo que fazem junto com o baixo é espetacular! A guitarra fica mais "chorada" na metade da música. Caramba, tudo encaixa e soa muito bem! No restante, da música, eles vão retomando com bastante semelhança (embora mudando um pouco os arranjos e a ordem) as idéias apresentadas nos três primeiros quintos da composição. Termina de uma forma abrupta.
A entrada da penúltima faixa é totalmente NATIONAL HEALTH. Sintetizador suave, compassos intrincados mas que ficam entre o aveludado e o acre. Ritmos variados mas não muito, na bateria. Constante uso de timbres doces nos teclados, com muita coerência. Tem umas vocalizações no meio da música, acompanhado de um clima muito gentil e acolhedor. Até o final dessa música vão explorando e combinando as propostas de sua primeira metade.
A última faixa abre com uma combinação percussiva pesada, bem STRAVINSKY, e/ou lembrando os momentos mais dark do NATIONAL HEALTH. Isso vira uma propositura levemente naif, e lúdica. Essa seção é bem curta, aos trinta segundos entra uma bem robusta e sombria. Até chegar numa parte curtíssima, meio free-jazz, com piano e bateria, para passar para outra seção com muita presença do baixo e piano, ambos num looping espetacular. Essa música é a mais bombástica e apoteótica de toda a obra. E, para mim, a melhor. Aqui, todos os fraseados no piano são realmente deslumbrantes, assim como o apoio do baterista! Há uns loopings psicodélicos breves nos teclados, surpreendentes e refrescantes, que dão ainda mais fôlego ao conjunto. Pouco depois da metade, a guitarra apresenta uns fraseados firmes, antes de uma explosão mais livre e curtíssima, para voltar à guitarra, enquanto os teclados exploram várias nuances em segundo plano. Tudo muito rico, os músicos vão passando a bola uns para os outros com uma integração absurda! Um pouco antes de entrar no 8o minuto, o sintetizador marca a andança de todos, voltando para o clima um pouco mais sombrio. Muita baixaria, num espectro mais alto de notas. E o encerramento é Grandioso! Irrepreensível.

Faixas:
01. Stadaconé (10:19)
02. Le Cosmophile (5:43)
03. Il faut sauver Barbara (4:19)
04. Ad hoc (4:30)
05. La "baloune" de Varenkurtel au Zythogala (4:57)
06. Isacaaron (ou Le démon des choses sexuelles) (11:22)

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Discografia:
1975 ● J'un oeil
1976 ● Stadaconé

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