Por Emerson Mello
O power trio canadense Rush é de longe a banda de Rock Canadense
melhor sucedida na indústria musical. Com uma discografia contando com 19
álbuns de estúdio, extensa quilometragem em shows pelo mundo, o legado do power
trio é invejável. Recentemente tivemos a grata notícia
do retorno da banda aos palcos, com a baterista alemã Anika Nilles, o que
evidentemente recolocou a banda em evidência no cenário musical. A turnê, que a
princípio seria apenas nos EUA, vou extendida a diversos outros países,
inclusive com cinco datas no Brasil, o que causou alvoroço entre os fãs
brasileiros.
Aproveitando este momento, resolvemos voltar o olhar pra cena canadense e revisitar alguns nomes que merecem nossa atenção. Além do Rush, temos outros grandes nomes na cena canadense como Neil Young, BTO, Jeff Healey, que também tiveram relevância. Este artigo não pretende ser um ‘Best of’ do Rock Canandense e nem nada do tipo, mas sim dar algumas dicas de bandas que não estão no mainstream, mas que tem qualidade e valem a pena serem conferidas. Prato cheio pra quem curte garimpar bandas e ir atrás de novos sons.
01 – A FOOT IN COLDWATER (Toronto) – Oriundos de Toronto, eles são uma excelente pedida pra quem curte o velho e bom Hard Rock setentista e ficaram na ativa entre 1972 a 1983. Recomendo bastante os dois primeiros, sendo que no primeiro eles fazem bastante uso de riffs de guitarra com o apoio do Hammond, com alguns toques de progressivo criando uma sonoridade bem interessante.
O April Wine está em atividade até hoje, tendo uma carreira sólida e um público fiel nos EUA e Canadá,e uma discografia que consiste em 16 álbuns de estúdio, alguns deles platinados. Minha dica pra conhecer a banda seriam os álbuns ‘The World is Goin Crazy’, ‘Harder Faster’ e ‘Nature of the Beast’, este último trás o maior hit da banda,“The Sign of the Gypsy Queen”.
03 - CONEY HATCH (Toronto) – O Canadá também teve seu representante do Hard Rock oitentista que foi o Coney Hatch. O Coney Hatch ficou em segundo plano perante as famosas bandas americanas que dominavam o cenário na época. Um dos principais membros da banda foi o guitarrista e vocalista Carl Dixon, que teve passagem por duas importantes bandas canadenses: April Wine e The Guess Who.
Um dos maiores feitos da banda foi abrir pro Iron Maiden em 1983, na World Piece Tour. Com uma discografia relativamente pequena, com apenas quatro álbuns, sendo três lançados na década de 1980, onde eu particularmente considero o primero o melhor deles. Dentro da discografia deles destaco os sons Devil’s Deck, Wrong Side Of Town, We Got the Night, Shake It, Hey Operator, First Time For Everything pra começar a conhecer.
04 – ET CETERA (Montreal) – O ET Cetera é considerado por muitos o Gentle Giant canandense, por conta do seu instrumental refinado que em muitos momentos lembra a sonoridade dos mestres ingleses. Uma das características do ET Cetera é o contraponto da bela voz de Marie Bernard com os vocais masculinos. Outro detalhe interessante é que cantam em francês, o que dá um molho diferenciado nas músicas.
Infelizmente deixaram apenas um registro, o maravilhoso álbum
auto intitulado, lançado em 1976, onde destaco “Entre Chien Et Loup”, mas o
álbum inteiro é muito bom.
05 – MAHOGANY RUSH (Montreal) – O Mahogany Rush era liderado pelo guitarrista Frank Marino, chamado por muitos de ‘Hendrix canadense’. De fato não dá pra negar a grande influência de Hendrix em seu estilo de tocar e em suas composições, Marino é citado pelo guitarrista Paul Gilbert como uma das suas maiores influências.
Formada em Montreal, a banda iniciou a carreira em 1969, tendo seu período mais aclamado na década de 1970, onde teve sua fase mais produtiva. Com uma discografia de irá agradar em cheios aos apreciadores de Classic Rock com um som orientado pra guitarra com um pouco de psicodelia. O próprio Frank Marino descreve o som da banda como ‘um hibrido entre Greatful Dead e Jazz’. Vá direto em ‘Maxoom’ e ‘Child Of The Novelty’.
06 – OCTOBRE (Quebec) – Pra quem aprecia um som refinado, com harmonias elaboradas, melodias cativantes, vocais de alto nível e instrumental de primeira, o Octobre é uma excelente pedida. Este quarteto de Quebec não decepciona, fazendo um Prog Rock sinfônico, trazendo algumas referências jazzísticas, eruditas, mas por vezes flertando com o experimentalismo, como na Valse en Onze Temps, executada no intrincado compasso de 11/8. Assim como o Et Cetera, também cantam em francês, dando aquele toque diferenciado nas músicas. Tendo uma discografia com cinco álbuns, o October é uma banda pra paladares mais exigentes, e devem agradar aos fãs de Gentle Giant e King Crimson, mas longe de ser mera cópia destas andas, isto é apenas referência, pois eles não abrem mão da sua própria personalidade.07 – PAT TRAVERS (Toronto) – Pat Travers é um guitarrista de mão cheia, constantemente citado por Kirk Hammet do Metallica como um de seus guitarristas preferidos e já trabalhou com músicos como Glenn Hughes, Nicko McBrain e Tommy Aldrige pra citar alguns. Além de exímio guitarrista, ele também toca teclado e canta. Uma das características mais marcantes de Travers é sua alta performance ao vivo com muita improvisação e muita energia. Além de ouvir sua discografia, recomendo pesquisar seus vídeos e conferir sua performance ao vivo.
Pra conhecer recomendo os álbuns: Makin’ Magic, Crash and Burn.
08 - THE GUESS WHO (Winnipeg) – Um dos grandes mistérios pra mim é o desconhecimento de grande parte dos fãs de Rock em relação ao The Guess Who. Sem contar a confusão que muitos fazem com os ingleses do The Who. Oriundos de Winnipeg, iniciaram a carreira na década de 1960, sendo a primeira banda canadense a ter uma música no topo da parada dos EUA, emplacando os hits "American Woman", "These Eyes" e "Share the Land". American Woman inclusive foi regravada por Lenny Kravitz, uma versão que fez bastante sucesso, que muitos acreditam ser do próprio Kravitz.
Tiveram uma atividade discográfica intensa entre 1968-1976, período em que lançaram 12 álbuns. O som é um Classic Rock com todas as referências da época sessentista, algumas vezes flertando com jazz, principalmente na parte harmônica. Vale à pena ouvir o “Wheatfield Soul” de 1969, sendo que “Friend of mine” sem dúvida é o destaque do disco, com um instrumental muito bem estruturado e uma letra com um humor ácido e questionamentos existenciais.
09 – TRIUMPH (Mississauga) – Confesso que eles são meu xodó desta lista. Vindo de Mississauga, o Triumph é uma banda de excelentes músicos, tendo como destaque o guitarrista Rik Emmett, que alterna os vocais com um trabalho de guitarra fantástico, onde podemos perceber que ele passeia com desenvoltura dentre estilos diversos como o Rock Clássico, Hard Rock, Jazz, Blues e Erudito, inclusive ao violão de nylon. Gil Moore, além de excelente baterista, manda muito bem nos vocais e faz alguns duetos vocais bem interessantes com Emmett. Mike Levine completa o trio e comanda o baixo e os teclados com muita competência.
Existe algumas semelhanças sonoras com o Rush o que abriu
margem para críticas, porém o Triumph segue mais a linha do Hard Rock clássico,
com muita personalidade, longe de ser uma mera cópia do Rush.
Recomendo muito os álbuns ‘Allied Forces” e ‘Never
Surrender’, porém vale a pena conhecer a discografia da banda dos anos 70 até
meados dos anos 1980 com a formação clássica. Vale conferir também a clássica performance
da banda no US Festival de 1983, um dos pontos altos da carreira da banda,
sendo na minha opinião a melhor apresentação do festival.
Recentemente fomos (positivamente!) surpreendidos com anúncio do retorno da banda com algumas datas já divulgadas no Canadá e EUA para abril, maio e junho deste ano.
10 – WIRELESS (Toronto) – Vindos de Toronto, o Wireless era gerenciado pela SRO, a mesma empresa que gerenciava o Rush, e chegaram assinar com a Anthem Records, tendo o seu terceiro álbum, No Static, produzido por Geddy Lee, e chegaram a ser a banda de abertura do Rush em algumas turnês. A sonoridade do Wireless é calcado no Classic Rock, mas com liberdade pra experimentar (fizeram um regravação bem interessante de Chain of Fools de Aretha Franklin) e alguns flertes com o Progressivo (como na música 461 Markham). O primeiro álbum veio numa sonoridade mais clássica a la Bad Company, inclusive o vocal de Alan Marshall tem algumas similaridades com o de Paul Rogers. O segundo, Positively Human Relatively Sane, vem com uma sonoridade mais madura, composições mais consistentes, arranjos mais elaborados e trás uma pegada um pouco mais pesada que o primeiro. Lady Anne, The Hard Way, I Know You Know, The Rut, East Of The Sun, West Of The Moon são alguns sons que eu indico pra começar a conhecer a banda.
*DISCOGRAFIA SUGERIDA
(1972) - A Foot in a Cold Water
(1981) - April Wine - Nature of the Beast
(1982) - Coney Hatch
(1976) - Et Cetera
(1972) - Mahogany Rush - Maxoom
(1975) - Octobre - Survivance
(1976) - Pat Travers - Makin' Magic
(1970) - The Guess Who – American Woman
(1982) - Triumph - Allied Forces
(1979) - Wireless - Positively Human Relatively Sane

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