No ano seguinte estavam, em um
estúdio caseiro, lançando a primeira fita cassete. De lá para cá trabalharam
bastante, e veio a fama de executarem shows estonteantes. Mesmo sem a estrutura
de uma grande gravadora, em 1993 seu álbum “Jurassic Shift” ficou entre os dez
mais vendidos do ano. Mais recentemente, na última semana de outubro de 2023, a
obra “Lotus Unfolding” alcançou a 5ª posição entre as mais escutadas no Reino Unido.
O disco “Pungent Efulgent”, a meu
ver, já apresenta uma combinação fabulosa de influências já conhecidas tanto do
Space Rock, quanto do Progressivo Psicodélico. Temas orientais, muito groove,
um pouco de Techno e muitos efeitos sonoros especiais.
Considero que trazem essas
contribuições com uma imensa genialidade. Destaco, em particular, o
brilhantismo com que inseriram um pouco de Reggae na obra. Depois que escutei a
detestável "Barnaby", do DRUID, que tentou mesclar Progressivo com o
referido estilo, passei a achar que não dava para trazer elementos de um para o
outro. Com todo respeito ao Reggae, mas seria como tentar misturar água com
óleo. Ambos são importantes, mas não rola. Desastre na certa! Pois bem, ainda
acho que é impossível, mas o OZRIC TENTACLES fez! E ficou espetacular. Uma das
músicas mais aclamadas do grupo, "Ayurvedic", a partir de seus 7:23,
e sobretudo nos 9:45, faz uma levada bem característica daquele estilo na
guitarra.
Noutra música do mesmo álbum,
"The Domes of G'ball", repetem o inacreditável. Viva o Rock Progressivo
e sua diversidade.
Vamos ao início do álbum, para
uns brevíssimos comentários sobre as outras músicas. Na primeira tem um momento
que quase ficam Techno, mas não chegam lá, pois ao invés de fraseados
repetitivos, solos de guitarra vão preenchendo os espaços. Essa música lembra bastante
o HAWKWIND, pois é acelerada, fazem uso de vocais em eco. Ao mesmo tempo, a
considero diferente da dita influência, pois têm mais groove, e a guitarra apresenta
uma variedade maior de ritmos e solos. Começam a segunda faixa combinando
elementos da musicalidade oriental, mais particularmente a japonesa, com o que
eu identifico como um Blues-Reggae. A 3ª faixa traz um pouco de new-age, ou
como que um psicodélico devagar, tranquilo. A 5ª faixa é bem meditativa. A 7ª, “Kick
Muck”, entra com uma guitarra ácida, nervosa, estraçalhando fraseados de tirar
o fôlego. A música rapidamente ganha velocidade, em praticamente todos os
instrumentos, e vai assim, aceleradíssima, até o final. A 8ª faixa apresenta
uma divertida combinação de ritmos africanos que leva o ouvinte a um passeio na
selva, com direito a sons de aves, mamíferos e sabe-se lá que outros seres
vivos. Ainda tem mais uma faixa do puro e legítimo Space Rock com alguns cubos
de doideira. Na medida certa.

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