País: Reino Unido
Gênero: Heavy Metal
Álbum: Cross Purposes
Ano: 1994
Lançamento: Janeiro
Gravadora: I.R.S. Records
Duração: 47:27
Músicos:
● Tony Martin: vocais
● Tony Iommi: guitarra
● Geezer Butler: baixo
● Bobby Rondinelli: bateria
● Geoff Nicholls: teclados
Lançado em janeiro de 1994, em um momento peculiar da longa e acidentada trajetória do BLACK SABBATH, "Cross Purposes" não trazia Ronnie James Dio, mas Tony Martin como vocalista titular por um breve intervalo, e com Tony Iommi — sendo o único membro verdadeiramente permanente da banda — buscando uma nova ancoragem. Após mais um momento de crise entre Dio e Iommi após a gravação de "Dehumanizer", a solução encontrada foi o retorno de Tony Martin aos vocais e, mais surpreendente, a reincorporação do baixista Geezer Butler, ausente desde a era Dio. Com a adição do baterista Bobby Rondinelli, completava-se uma formação híbrida que, embora não fosse a "clássica" de nenhuma fase anterior, revelou-se surpreendentemente coesa e produtiva. O álbum foi gravado num clima de renovada energia, e isso se percebe já nas primeiras faixas — há uma urgência e um peso que o Sabbath havia perdido em alguns trabalhos da década anterior.
Musicalmente, "Cross Purposes" representa um feliz equilíbrio entre o Doom pesado das origens e o Metal mais melódico e acessível que a banda havia explorado com Tony Martin ao longo dos anos 1980. Faixas como "I Witness" e "Cross of Thorns" exibem riffs de Iommi em plena forma — densos, hipnóticos, construídos sobre aquela lógica harmônica singular que nenhum outro guitarrista conseguiu replicar com autenticidade. A presença de Geezer Butler faz diferença sensível: seu baixo é mais do que suporte rítmico, é uma segunda voz que dialoga constantemente com a guitarra, restabelecendo uma dinâmica que havia sumido nas formações intermediárias. Tony Martin, por sua vez, entrega uma performance vocal de grande consistência, navegando entre o épico e o sombrio sem jamais soar excessivo.
A produção a cargo de Leif Mases, confere ao conjunto um som encorpado e relativamente moderno para os padrões da época, sem no entanto esterilizar a aspereza característica do SABBATH. Há momentos de maior leveza melódica, como em "Dying for Love" — que flerta com o Rock mais comercial sem vergonha alguma — e outros de densidade quase opressiva, como "Evil Eye" e "Psychophobia", que reafirmam a capacidade da banda de criar atmosferas de peso genuíno. O disco não esconde suas ambições comerciais em certos momentos, e isso pode incomodar os puristas, mas funciona como evidência de uma banda que ainda buscava relevância no mercado sem abrir mão de sua identidade essencial.
Embora não figure entre os grandes álbuns do BLACK SABBATH, "Cross Purposes" é um trabalho substancialmente melhor do que sua reputação sugere, frequentemente negligenciado em favor das eras Ozzy ou Dio e injustamente varrido para baixo do tapete da discografia oficial. Para quem aprecia a fase Tony Martin com seriedade, "Cross Purposes" representa um dos pontos altos desse período, com composições sólidas, performances convincentes e o peso inconfundível que só Tony Iommi é capaz de invocar. Uma redescoberta recomendada.
| Fontes pesquisadas |
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| Faixas |
|---|
| Nº | Título | Duração |
|---|---|---|
| 01 | I Witness | 04:58 |
| 02 | Cross of Thorns | 04:34 |
| 03 | Psychophobia | 03:14 |
| 04 | Virtual Death | 05:49 |
| 05 | Immaculate Deception | 04:15 |
| 06 | Dying for Love | 05:53 |
| 07 | Back to Eden | 03:57 |
| 08 | The Hand That Rocks the Cradle | 04:30 |
| 09 | Cardinal Sin | 04:21 |
| 10 | Evil Eye | 05:59 |
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