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quarta-feira, janeiro 31

CATHEDRAL ● Forest of Equilibrium ● 1991

Artista: CATHEDRAL
País: Reino Unido
Gêneros: Doom Metal, Stoner Rock, Stoner Metal
Álbum: Forest of Equilibrium
Ano: 1991
Lançamento: Outubro
Gravadora: Earache/Relativity Records
Duração: 54:09

Músicos:
● Lee Dorrian: vocais
● Garry Jennings: guitarras
● Adam Lehan: guitarras
● Mark Griffiths: baixo
● Mark Ramsey Wharton: bateria e percussão

Com:
● Reverendo Wolski: teclados
● Helen Acreman: flauta

No outono de 1991, enquanto o Metal Extremo corria cada vez mais rápido em direção à velocidade e à brutalidade, cinco músicos de Coventry escolheram o caminho oposto — e, ao fazê-lo, criaram um dos discos mais pesados, lentos e perturbadores já concebidos. "Forest of Equilibrium" não é apenas um álbum de Doom Metal; é um monumento à lentidão como arma.

A história do CATHEDRAL remonta a julho de 1989,  quando Lee Dorrian deixou o NAPALM DEATH — banda que havia ajudado a moldar o Grindcore moderno — cansado da velocidade frenética e da crescente comercialização da cena extrema. Junto ao baixista Mark Griffiths, ex-roadie do CARCASS, e aos guitarristas Garry "Gaz" Jennings e Adam Lehan, oriundos do Thrash Metal do ACID REIGN, Dorrian fundou o CATHEDRAL com uma missão quase iconoclasta: resgatar e radicalizar o Doom Metal das origens, aquele som pesado, lento e opressivo que o BLACK SABBATH havia inaugurado duas décadas antes. A fórmula era simples na concepção e brutal na execução — tocar o mais devagar possível sem jamais ceder à tentação de acelerar.

Após percalços com bateristas e dois demos, a banda finalmente assinou com a Earache Records e gravou "Forest of Equilibrium", o álbum de estreia no Workshop Studios, em Redditch, entre julho e agosto de 1991, com o baterista americano Mike Smail (ex-DREAM DEATH e PENANCE) completando a formação. "Forest..." foi lançado em 21 de outubro de 1991 — soando como um eco de outro tempo, deliberadamente fora de compasso com o entusiasmo acelerado da cena underground do momento.

O álbum funciona como uma câmara de decomposição sonora. As guitarras de Jennings e Lehan estão afinadas em Si, produzindo um peso sludgy e pantanoso que mais parece areia movediça do que riffagem convencional. O andamento é propositalmente hipnótico. Sobre essa base monolítica, Lee Dorrian despeja uma voz gutural e espectral, oscilando entre gemidos fúnebres e ganidos mais angustiados, completamente diferente do que havia feito no NAPALM DEATH e igualmente distante de qualquer vocalista de Doom Metal anterior.

A produção, de tom orgânico e deliberadamente bruta, amplifica a sensação de claustrofobia. O baixo de Griffiths ressoa como passos em câmara lenta num corredor de pedra, e a bateria de Smail mantém uma precisão quase ritualística dentro do tempo dilatado. Toques de flauta e violão acústico surgem em momentos estratégicos — especialmente na faixa de encerramento — como frestas de luz numa floresta densa, conferindo ao disco uma dimensão psicodélica e progressiva que o distingue dos referenciais do Doom clássico. 

A faixa de abertura, "Commiserating the Celebration", é uma das declarações de intenções mais devastadoras da história do Metal pesado: quase doze minutos de riffs que se arrastam como lava, estabelecendo imediatamente o tom fúnebre do álbum. "Equilibrium" apresenta o riff mais acessível — relativamente — do disco, com solos de guitarra que são verdadeiros momentos de catarse dentro da lentidão reinante. Já "Reaching Happiness, Touching Pain", a faixa de encerramento, é a joia mais sofisticada: a flauta convidada de Helen Acreman e o violão acústico transformam o doom em algo quase meditativo, uma despedida solene e melancólica que termina o disco de forma inesquecível. 

O disco também se destaca por sua curiosa diversidade dentro da uniformidade. "Soul Sacrifice" quebra a monotonia com uma velocidade comparativamente vertiginosa para os padrões do álbum, enquanto as inserções de flauta e teclado — gentilmente contribuídas pelos músicos convidados Helen Acreman e Reverend Wolski — abrem janelas para influências do Rock Progressivo e Psicodélico dos anos 1970 . 
Com o passar das décadas, "Forest of Equilibrium" foi reconhecido como um dos pilares fundadores do Doom Metal moderno e uma influência confessada por bandas como ELETRIC WIZARD, ORANGE GOBLIN e inúmeras outras. Em 2006, o álbum foi admitido no Hall of Fame da revista Decibel, tornando-se seu 12º indutado — reconhecimento tardio, porém justo, de uma obra que levou tempo para ser plenamente compreendida.

Fontes pesquisadas
Faixas
Nº   Título Duração 
01 Picture of Beauty & Innocence (Intro) / Commiserating the Celebration    11:15
02 Ebony Tears 07:46
03 Serpent Eve 07:40
04 Soul Sacrifice 02:54
05 A Funeral Request 09:16
06 Equilibrium 06:08
07 Reaching Happiness, Touching Pain 09:07
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