País: Multi-nacional
Gênero: Jazz-rock Fusion
Álbum: Live from Paris
Ano: 1976
Lançamento: Junho
Gravadora: Island Records
Duração: 63:49
Músicos:
● Stomu Yamash'ta / piano e percussão
● Steve Winwood / vocais, teclados e letras
● Michael Shrive / bateria
● Klaus Schulze / sintetizadores
● Al di Meola / guitarra principal
Com:
● Jerome Rimson / baixo
● Pat Thrall / guitarra
● Brother James / congas
● Karen Friedman / vocais
● Michael Quatermain / letras
Yamashita Tsutomu (podendo também ser escrito Tsutomu Yamashita), que em algum momento dos anos 1970 passou a adotar o nome artístico Stomu Yamash'ta, nasceu em Kyoto a 15 de março de 1947, foi um percusionista, tecladista, compositor, e artista experimental, musicalmente bem ativo pelo menos desde 1971. Realizou projetos para o teatro, trilhas sonoras, além de ter composto um balé. Ainda nos primeiros anos de sua carreira, foi para a Europa, onde passou a colaborar e/ou convidar vários músicos de diferentes gêneros musicais.
Seu projeto mais conhecido se chama ‘GO’, uma iniciativa jazz-rock eclético que lançou 3 álbuns entre 1976-77. No disco ora em análise, estão também no palco o Steve Winwood, Klaus Shulze, Al di Meola, Michael Shrieve e convidados. Eu, particularmente, descobri Stomu há pouco tempo, e lendo sua biografia no Progarchives, fiquei impressionado. Por um breve período antes de formar o GO, ele foi o líder de um grupo chamado EAST WIND, que contou com nomes como Gary Boyle (ISOTOPE, BRIAN AUGER, entre outros), Hugh Hopper (WILDE FLOWERS, SOFT MACHINE, GILGAMESH, DAEVID ALLEN TRIO, etc), John Lingwood (ROGER WATERS, DAVE GREENSLADE, MADDY PRIOR, ARTHUR BROWN, BRIAN AUGER, MANFRED MANN'S EARTH BAND, e por aí vai), Mike Travis (GILGAMESH e outros), além de uma violinista e um baterista japoneses.
No início dos anos 80 ele retornou ao Japão, passando um breve tempo num mosteiro budista. Mas nunca abandonou a música, compondo e registrando pelo menos até o final da década de 2000. Como parte de sua discografia não saiu em CD; como esses LPs são geralmente raros, e como parte das edições em CD saíram mais no Japão do que em outros países, esses fatores devem fazer parte da explicação dos motivos que mantêm Stomu na obscuridade.
Vamos ao disco. A faixa de abertura é totalmente Klaus Schulze. Parece primeiro com uma nave pousando em terreno irregular, em algum planeta misterioso. Essa é a intro para a
faixa seguinte, onde o baixo e a bateria vão imprimindo sobre os sintetizadores uma dinâmica acelerada e robusta, parecendo portanto que algo insólito e/ou aventureiro está acontecendo no planeta. Essa parte é bem curtinha, tem 1min20.
Já a 3a faixa não dá seguimento ao conceito que estava até então surgindo em minha mente, contudo mantém o ritmo veloz que a parte anterior foi ganhando. A percussão à la SANTANA, com as pinceladas psicodélicas do sintetizador, me transportam do tal planeta para o meio da galera que tá assistindo o show. A banda está muito afiada e integrada, algo impressionante se levarmos em conta que cada um vem de um canto do planeta. A composição tende a ficar um pouco repetitiva durante um trecho da primeira metade. Quando começa a segunda metade, há umas mudanças de arranjo e de compasso, sobretudo na guitarra, e pouco depois sobrevém umas pinceladas de um jazz-rock meio climático (combinação essa que soou um pouco estranha aos meus ouvidos). Mais para o final tem um breve trecho com um arranjo meio confuso.
Na faixa seguinte, a primeira com vocais, como nela há bastante percussão, uma guitarra rítmica e um bom swing, lembra um cruzamento de TRAFFIC com RETURN TO FOREVER. Dão espaço para o di Meola, que não decepciona; até porque encontraram um excelente arranjo entre guitarras e bateria, apresentado por timbres inspirados. O contraste do canto aveludado de Winwood com as notas rápidas ficou muito bom! Pena que termina logo, deixando gostinho de quero mais.
A introdução etérea da 5a música até chega a parecer a fase mais elaborada e ordenada do TANGERINE DREAM, com alguns elementos de AGITATION FREE. De um jeito desconexo, vai para
a música seguinte, uma proposta tipo jazz-rock espiritual, com um coral feminino de background (não achei os nomes das moças em nenhum dos créditos nos sites que consultei). A essa altura do disco, dá para perceber que os principais membros combinaram entre si que as introduções de grande parte das músicas seriam feitas por Schulze. Seria uma boa idéia, se não fosse pelo fato de que esse método dificulta a vida do ouvinte; no sentido de que as extensões dessas aberturas são curtas, e isso não dá tempo para que se mergulhe no clima da vibe eletrônica executada. Voltando à análise dessa faixa, ela apresenta harmonias vocais combinadas e atravessadas entre si, de alta complexidade, que funcionam bem demais. di Meola até consegue achar espaço nesse emaranhado incrível, até mesmo mudando os timbres de um looping para outro. Os sintetizadores que entram no final da apresentação não combinam com a atmosfera da música, mostrando que Schulze tem uma dificuldade de se adaptar e variar musicalmente. De qualquer forma, no cômputo geral, essa música é empolgante.
As congas abrem a próxima faixa, e as toadas suaves e gentis da guitarra lembram novamente o TRAFFIC. Performance gostosa, tanto nas letras, quanto no rico e instigante swing, com leves lampejos de pop-rock. Winwood é mesmo fantástico no modo como, ao cantar, escolhe mudar o compasso e desenvolver notas mais longas. Gênio! E felizmente essa faixa termina de forma coesa e coerente. O curioso é que a platéia ovaciona bastante, ao final, o Schulze, que para mim é o mais deslocado da turma.
8a faixa, e primeira do segundo LP. Outra introdução eletrônica/etérea para a
faixa posterior. Com um piano, baixo e sintetizador suaves que misturam blues-rock e new-age. Os vocais estão numa cadência mais lenta. Essa composição foi escolhida para ter melodias marcantes, porém não foi muito bem refinada, e a banda soa desintegrada. Ademais, termina mal.
A 10a faixa é outra introdução, dessa vez combinando diferentes teclados, inclusive com bastante piano. Até que tem uns bons timbres, e se tivessem aprimorado mais a conexão entre essa composição e
a faixa que vem a seguir, teria dado uma bela entrada. Bem, ficou meia-bomba.
A 11a faixa começa com um rock mais básico e pinceladas de blues. Pouco depois, uma guitarra bem SANTANA, mas também com influências de B. B. KING, vai crescendo. E com bastante sensibilidade, destreza e experiência, vai trazendo os outros músicos de forma incrível! Desse modo, também vão ganhando insidiosamente velocidade e massa sonora. Que jam maravilhosa! No último quarto da canção, volta para o rock inicial, só que dessa vez acrescentando umas "decorações" a mais, tanto nas harmonias vocais quanto nas instrumentais. Winwood estava muito inspirado nessa ocasião para criar diferentes camadas de canto e de backing vocals.
Agora, na 12a faixa, o ponto alto desse disco duplo, não há uma intro eletrônica. Felizmente. E nos primeiros instantes já mostram que não estão para brincadeira. As congas, bem presentes, sem exageros, dialogam muito bem com as notas firmes da guitarra, propositalmente quase em descompasso com a composição. O ritmo é ligeiro, as vocalizações e canto combinam perfeitamente com o baixo. Os curtíssimos solos de di Meola, que vão aumentando em tempo e camadas, interagem com algumas firulas no piano. Tudo está encaixando encantadora e robustamente. É como se tivessem conseguido combinar o melhor do TRAFFIC, com o blues, elementos de big band, além do jazz-rock fusion dos grandes mestres. Essa criatividade toda não se sustenta por muito tempo, pois as seções exclusivamente instrumentais são longas, e em um dado momento ficam um pouco repetitivas. Porém, aí chega o di Meola, quanto o baixista, bem brevemente, e apoiados com destreza pela bateria, para garantir uns excelentes atrativos. Com 10min, a música vai perdendo densidade e volume, parecendo que está acabando. Só que não. Retomam o fôlego, di Meola arrebenta nas cordas, inspirando também os outros a explorarem mais seus instrumentos. Um momento de plena espontaneidade nesse registro, essa faixa. Bem, a música vai de novo perdendo pujança, e dessa vez para realmente fechar essa jam.
A penúltima faixa aproveita, com plasticidade e recomposição admiráveis, um fraseado da jam que acabou de se encerrar. Portanto, para minha própria surpresa e encanto, ao invés de funcionar como introdução para a música seguinte, caiu muito bem como um interlúdio entre-faixas. Os timbres graves usados são penetrantes.
E, afortunadamente, a 14a e última faixa desenvolve esse tema com um pouco mais de camadas, acrescentando uma dramaticidade e um pouco de sobressalto às idéias presentes na 1a faixa dessa obra. Pelo fato de ser uma repetição, sem grandes novidades, não o incluo entre as melhores faixas desse lançamento.
Faixas:
01. Space Song (2:29)
02. Carnival (1:18)
03. Windspin (8:17)
04. Ghost Machine (3:51)
05. Surfspin (2:12)
06. Time Is Here (6:58)
07. Winner Loser (5:26)
08. Solitude (2:01)
09. Nature (4:27)
10. Air Voice (2:19)
11. Crossing The Line (5:33)
12. Man Of Leo (14:22)
13. Stellar (1:22)
14. Space Requiem (3:14)
Discografia:
1971 ● Stomu Yamash'ta & Masahiko Satoh: Metempsychosis
1971 ● The World Of Stomu Yamash'ta. Live.
1971 ● Uzu: The World Of Stomu Yamash'ta 2. Live
1971 ● Red Buddha
1971 ● Percussion Recital
1972 ● Come To The Edge: Floating Music
1972 ● John Williams (4), Stomu Yamash'ta – Images
1973 ● Red Buddha Theatre: The Man From The East
1973 ● East Wind: Freedom Is Frightening
1974 ● East Wind: One By One (OST)
1975 ● Raindog
1976 ● [Stomu Yamash'ta] Go
1976 ● [Stomu Yamash'ta Go] Live from Paris
1977 ● [Stomu Yamash'ta Go] Go Too
1981 ● Iroha = いろは
1982 ● Paul Mazursky's Tempest. Trilha sonora
1982 ● いろは「水」 Iroha (Sui)
1983 ● いろは「火」 Iroha (Ka)
1984 ● Sea & Sky
1984 ● 空海
1990 ● [ツトム ヤマシタ = Mind Music In Stomu Yamash'ta] 太陽の儀礼 Vol. II サヌカイト の幻想 = Solar Dream, Vol. II: Fantasy Of Sanukit
1993 ● [ツトム ヤマシタ = Stomu Yamash'ta] 太陽の儀礼 Vol. I = Solar Dream, Vol. I: 久遠之今 / The Eternal Present
1995 ● 打-ツトム・ヤマシタの世界
1997 ● Solar Dream = 太陽の儀礼 Vol. III: Peace And Love = 神々の ささやき
1999 ● A Desire Of Beauty & Wonder Stone Part 1
2000 ● [Takemitsu / Oliver Knussen / Stomu Yamash'ta / Seiji Ozawa] Rain Spell / Water-Ways / Rain Coming / Tree Line / Casseopeia. Compilação
2002 ● Listen To The Future, Vol. 1
2005 ● The Complete Go Sessions. Compilação
2006 ● [Ragnhildur Gísladóttir / Stomu Yamash'ta / Sjón] Bergmál = Echo
2009 ● Onzen Au Thoronet. DVDr
2022 ● Seasons (The Island Albums 1972-1976). Compilação
19?? ● [Tsutomu Yamashita / Seiji Ozawa / Toru Takemitsu / Maki Ishii / Japan Philharmonic Symphony Orchestra] Cassiopeia / Sō-Gū II
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente e Participe